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  • Coluna do Pádua: O autismo e a teoria do Caos ou Como lidar com o não-controle

    O Autismo e a teoria do Caos ou Como lidar com o não-controle

    É sabido, entre outras coisas, que a pessoa autista possui uma tendência a estrutura rígida de pensamento. Isso é observável por vários aspectos; das rotinas de afazeres diários às quais ela geralmente acomoda em sua vida, passando por eventuais manias que desenvolvam até a forma como ela lida com as divergências ou imprevistos com as quais eventualmente pode se deparar. Assim, a estrutura rígida de pensamento geralmente leva o autista a se desenvolver muito bem dentro de ambientes rígidos, com regras especificadas e nos quais haja o mínimo possível – ou zero - de alterações. 

    Mas... O que acontece quando esse controle... some? Escafede-se? Essa indagação nos leva ao seguinte ponto do texto.

    Há um campo de estudo na matemática que investiga as possibilidades de se manter o controle sobre sistemas complexos e monitorados. Esse campo produziu o que se convencionou chamar de Teoria do Caos. Essa teoria explica justamente a impossibilidade de manter o total controle sobre esses sistemas, uma vez que há muito mais variáveis atuando sobre esse sistema do que simplesmente as controladas (ou controláveis). Essa teoria foi popularizada em filmes como Jurassic Park (1993) e Efeito Borboleta (2004), que mostraram mais ou menos, em acordo com a Teoria do Caos, como sistemas altamente complexos – e extremamente monitorados, caso do parque temático do filme de Steven Spielberg – seriam extremamente vulneráveis a drásticas mudanças a partir de alterações, por menores que sejam, nas condições iniciais desses sistemas. 

    Autistas, como já dito, possuem rigidez de pensamento. Isso pode ocasionar dificuldades em situações imprevisíveis ou sistemas complexos com um ou mais aspectos caóticos. Uma vez nosso cérebro sendo bastante apegado a padrões, seja de rotina ou de comportamentos, lidar com situações que fogem ao costume e/ou ao controle, parcial ou totalmente, pode apresentar diferentes níveis de dificuldade. Tendemos a rejeitar e nos frustrar com situações que não nos sejam costumeiras ou controláveis. Assim, o conhecimento acerca da teoria do caos poderia torná-la uma importante aliada do autista em sua estratégia de convívio com a sociedade. 

    A pessoa autista, como todo ser humano, fatalmente terá de lidar com aspectos caóticos na vida em sociedade, podendo variar de acordo com o nível de interação que esta impõe. É bem verdade que a sociedade, em seu eixo estrutural, é um ente organizado, com regras sociais, morais e éticas a serem seguidas por todas as pessoas que nela estão inseridas; há, no entanto, duas inconveniências: a primeira é que, apesar dessa organização, a sociedade é feita por seres humanos e estes podem ou não possuir a rigidez de pensamento comum nos autistas. Assim, atrasos a compromissos, esquecimentos ou a mera desconsideração dos outros para com nossas regras pessoais, podem ser mais comuns do que gostaríamos. E a segunda é que há aspectos naturalmente incontroláveis da existência como um todo e da natureza, tais como meteorologia e doenças. 

    Um exemplo pessoal: em 2012, me preparava para apresentar um seminário em grupo na universidade, mas acabei acometido por uma doença cutânea que me forçou a fazer uma cirurgia e ficar duas semanas em casa, no final de semana anterior ao seminário! A frustração foi imensa, e por muitos dias fiquei a imaginar como poderia resolver isso. No final, deu tudo certo e as coisas se ajeitaram ao passo em que fiz um fichamento de resumo sobre o assunto ao qual iria apresentar no seminário, e posteriormente consegui a aprovação na disciplina. Uma situação que me fugiu totalmente ao controle, resolvida com calma, parcimônia e a aceitação de que as coisas poderiam dar certo mesmo sem que eu tivesse controle delas.

    O fato é que a Teoria do Caos pode sim ser uma grande aliada, não apenas para nós autistas, mas de qualquer pessoa que possua dificuldades em aceitar que não pode controlar tudo na vida e existência. Não é fácil, afinal, estamos lidando com uma ideia que, em um primeiro olhar, nos tolhe em vez de amplificar as nossas possibilidades. Mas se olharmos bem, podemos ver que não é tão difícil assim, já que é possível adequarmos nossa existência a essa ideia sem grandes traumas.

    Afinal, como diz o Dr. Ian Malcolm em Jurassic Park...“A vida encontra um jeito.”


    Sobre o autor:
    Meu nome é Pádua, tenho 26 anos e sou autista. Sou fotógrafo e amo o que faço! Nas horas vagas, gosto de escrever, pois considero uma atividade super divertida e produtiva. Aproveitem a coluna sem moderação!

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    Sinopse: Neste guia você não vai encontrar técnicas ou fórmulas mágicas, pois o que escrevi aqui são experiências reais e servem de base para que você entenda como meu cérebro autista funciona na prática. Aqui você será espectador e verá a vida através do olhar de quem sente na pele as mesmas sensações que você. Sempre com leveza e bom humor te ensino a não surtar nesse mundo onde a gente se sente um E.T.

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