• Coluna do Aspie: Você é normal?

    Olá amigos,

    Bem vindos novamente a coluna do Aspie. Hoje vamos falar sobre essa palavrinha que atormenta muita gente: NORMAL.

    No meu perfil do Instagram, apesar de ter crescido muito em número de seguidores, eu tento sempre manter contato com as pessoas que me acompanham, seja para fazer rir, informar ou apenas ouvir. 

    Quem me segue por lá sabe que sempre procuro responder todo mundo e é dessas conversas que surgem muitas das sugestões sobre assuntos que são tratados por aqui e foi de um apelo que recebi essa semana que resolvi escrever sobre esse tema.

    "Minha família não aceita o meu jeito de ser e diz que eu tenho que me esforçar para ter uma vida normal. Eu não consigo ser normal!"

    Esse foi um trecho da mensagem e decidi discorrer sobre isso. Hoje, graças aos vários autistas que estão levantando suas vozes e ao contato direto e contínuo que tenho com as pessoas através da página do @aspiesincero, posso perceber várias características desse mundo dentro do espectro, juntar minhas experiências com o conhecimento de outros indivíduos e tirar algumas conclusões.

    Todos sabemos das dificuldades que nos cercam, das comorbidades que rodeiam o TEA, das crises sensoriais, das sobrecargas, disfunção executiva, enfim, das limitações que o Autismo nos traz. Eu muitas vezes falo das potencialidades e das vantagens relacionadas com o jeito neurodiverso de ser, mas hoje vou falar mesmo é dessas limitações!

    Na troca de experiências que experimento com outros autistas, homens, mulheres, adultos e adolescentes, não é raro que falemos sobre essas dificuldades. O que pode ser surpresa para muitos de vocês que me acompanham é que dentre todas essas coisas que citei, não foi citada o que é uma das maiores barreiras presentes na vivência de nós autistas, a falta de aceitação do nosso jeito de ser. 

    Isso mesmo, no topo da lista de dificuldades está a falta de compreensão alheia! Continuam querendo enquadrar o autista num padrão de normalidade neurotípico. Querem forçar e acredito que muitas vezes nem é por maldade (como no caso da família da psicóloga de quem recebi a mensagem) a pessoa autista a agir de uma maneira que simplesmente ela não consegue ou não é capaz. Não porque tem algo errado com ela, mas simplesmente porque o Autista é diferente e está tudo bem em ser diferente! 

    As pessoas precisam entender que a neurodiversidade é constitutiva da raça humana, desde que o mundo é mundo existem neurodiversos e só chegamos ao nível de desenvolvimento em que estamos por causa da diversidade em todos os sentidos.

    Com isso, para quem gosta de problematizar, não estou dizendo que o autista não deve buscar auxílio para amenizar as dificuldades e cessar comportamentos inadequados e/ou prejudiciais para sua integridade ou a dos outros. Apenas venho ressaltar que ser normal não é igual a ser neurotípico. Não é esse o padrão que todos devemos seguir. Temos que aprender a viver todos bem com nossas diferenças e se qualquer pessoa não entende isso então quem tem que se esforçar para ser normal não é o autista.

    Aceitação começa dentro de casa. Para existir inclusão de fato é necessário informação, entendimento e conscientização. Por isso o intuito desse texto não é "puxar a orelha" de ninguém. Espero apenas duas coisas: 

    - Primeiro: que as pessoas autistas como essa psicóloga que me enviou a mensagem, saibam que nós somos normais...

    - Segundo: que assim como quem está dentro do espectro procura entender e aceitar o jeito neurotípico de ser, procurem entender a nossa maneira de existir.


    Um abraço do Aspie e continuem seguindo o @aspiesincero no Instagram e mandando suas sugestões, perguntas e dicas de temas para a coluna. 

    Sobre o autor: @aspiesincero é codinome de um autista adulto que através de memes bem humorados busca propagar informações, conscientizar e tornar cada vez mais conhecido esse mundo do TEA. Gosta de escrever porque dá para fazer com apenas uma das mãos enquanto segura uma fatia de pizza na outra. Ler é seu hiperfoco mas rir de si mesmo é seu verdadeiro dom.
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    Sinopse: Neste guia você não vai encontrar técnicas ou fórmulas mágicas, pois o que escrevi aqui são experiências reais e servem de base para que você entenda como meu cérebro autista funciona na prática. Aqui você será espectador e verá a vida através do olhar de quem sente na pele as mesmas sensações que você. Sempre com leveza e bom humor te ensino a não surtar nesse mundo onde a gente se sente um E.T.

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