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  • Coluna do Pádua: Suicídio, um debate necessário


    Suicídio, um debate necessário

    Oi pessoal! 

    Esse é um texto bem diferente da maioria que vocês já viram ou verão de minha autoria por aqui. Minha predileção é a escrita sobre filmes, séries e/ou livros que eu tenha lido, para exprimir o que penso sobre tais obras, desde que haja alguma base fundamental para relacionar com a questão de saúde mental, seja de autistas ou de demais neuro-atípicos. 

    Hoje, porém, o assunto é um pouco mais pessoal... Falaremos sobre um assunto atualíssimo e necessário: a questão do suicídio. Sabe-se que o suicídio, atualmente, aparece na sociedade como um crescente problema de saúde pública. O motivo não é outro senão a taxa alarmante que apresenta em várias faixas etárias, sendo considerado um dos maiores causadores de mortes neste começo de século XXI. É verdade que a taxa mundial diminuiu entre 2010 e 2016 (queda de 9,8% de acordo com a Organização Mundial da Saúde), mas os números ainda são muito altos: a cada 40 segundos no mundo uma pessoa se suicida. 

    Mas... o que leva uma pessoa a querer tirar a própria vida? Aqui trarei tanto as minhas experiências pessoais quanto minhas crenças e convicções a respeito do suicídio. Tive ideações suicidas em alguns momentos da minha vida, por razões de desequilíbrio emocional e financeiro (vão checar o ótimo vídeo da Daniela sobre isso em seu canal do youtube clique aqui ), que me causaram um profundo descontentamento com a vida. É também um fator de risco não criar perspectivas sobre o futuro, deixando para viver a vida apenas como um dia após o outro. Mesmo que essas perspectivas não cheguem a se concretizar, é necessário que tentemos enxergar a nós mesmos daqui a 5, 10 ou 15 anos. Afinal, se não temos objetivos claros na vida, qual o sentido de vivê-la? 

    Mas vamos fundamentar um pouco mais essa discussão. O francês Émile Durkheim, um dos pais fundadores da sociologia, publicou em 1897 a obra “O Suicídio”, um vasto estudo de caso sobre as taxas de suicídio dos protestantes e católicos no final do século XIX e que, por incrível que pareça, pode nos ajudar a elucidar as taxas de suicídio atuais. Durkheim estabeleceu, em sua época, quatro motivos principais que poderiam levar uma pessoa cometer suicídio: 

    1) Senso de não-pertencimento: quando a pessoa não se sente pertencente ao seu contexto social, o que pode levar justamente à falta de sentido da vida, depressão, apatia e melancolia; 

    2) Altruísmo: a pessoa sente-se imbuída de princípios e crenças maiores que seus próprios – como os de grupos ou seitas; 

    3) Anomia: aqui Durkheim propõe que “anomia” seria um estado no qual uma comunidade, devido a distúrbios sociais e problemas econômicos gerais, poderia carecer de direcionamento para seus integrantes, o que lhes causaria potenciais estados de confusão mental; 

    4) Fatalismo: quando algum indivíduo é imbuído de uma conduta moral e métodos pessoais irredutíveis, cujas paixões pessoais acabam sendo oprimidas por estes aspectos. 

    Durkheim propôs ideias importantes, como a possibilidade de estudar a natureza de cada caso de suicídio e quando ele pode ou não se tornar um fenômeno social, de acordo com as particularidades do estudo de caso, bem como – na questão específica dos religiosos – a relação entre a integração com um ambiente de rígido controle social, como de fato era e é a religião – e o controle das taxas de suicídio, colocando para jogo a ideia de integração social, isto é, o senso de pertencimento a uma comunidade ou a um grupo. 

    Mas é possível relacionar esse estudo com os dias atuais através de algum dos quatro tipos de suicídio? 

    Em meu entendimento, isso é super possível, principalmente quando abordamos dois tipos específicos: o senso de não-pertencimento e o de anomia social. Não raro encontramos pessoas que não conseguem encontrar um meio social para chamar de seu e acabam cada vez mais isoladas e se sentindo menos pertencentes a um lugar. Pessoas assim podem de fato sofrer com depressão e portanto, cometer suicídio – lembrando que a principal doença que leva ao suicídio é a depressão, seguida por outros quatro grandes fatores de risco: transtorno bipolar, abuso de álcool e substâncias químicas diversas, esquizofrenia e transtorno de personalidade limítrofe (borderline). 

    A anomia social também é um conceito extremamente atual, ainda mais quando se trata das sociedades latino-americanas e em particular a brasileira. O Brasil, na contramão do mundo, cresceu 7% suas taxas de suicídio entre 2010 e 2016 (dados da OMS). Evidente que temos fatores de risco muito altos, como a facilidade do acesso a armas e/ou a substâncias químicas, mas o fato é que o Brasil vive uma das piores crises de desemprego de sua história. Os direitos trabalhistas foram dilacerados, os empregos gerados nos últimos anos são de baixíssima qualidade. Tudo isso pode parecer apenas “papo de política”, mas tem tudo a ver com a qualidade de vida da população (ou da falta dela). Uma população que está sujeita a baixa qualidade de vida e a uma comunidade de valores confusos e problemas econômicos graves como o Brasil nos dias de hoje, se encaixa muito bem no conceito de anomia social proposto por Durkheim. 

    Mais do que o suicídio em si ser combatido, seus fatores de risco precisam urgentemente ser coibidos. Afinal, não há melhor forma de combater a morte por suicídio do que melhorar a qualidade de vida das pessoas.


    Sobre o autor:
    Meu nome é Pádua, tenho 26 anos e sou autista. Sou fotógrafo e amo o que faço! Nas horas vagas, gosto de escrever, pois considero uma atividade super divertida e produtiva. Aproveitem a coluna sem moderação!

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