• Coluna do Aspie - Especial Dia dos Pais


    Olá amigos! 

    Dia dos pais chegando e eu não poderia deixar passar em branco uma data tão especial para mim. Como muitos já sabem, sou pai de dois filhos lindos e maravilhosos que me ensinam todos os dias como algo pode ser o motivo das maiores alegrias e preocupações da vida ao mesmo tempo. Mas, como o dia é dos pais, vou falar com quem entende do assunto muito mais do que eu e de quebra é o responsável pela existência desse que vos fala. Meu pai! 

    Pensei em muitas coisas que poderia escrever sobre ele, mas decidi que o melhor a fazer seria deixar ele mesmo falar sobre sua vivência e coragem para criar três filhos autistas num tempo onde haviam todos os desafios, porém não se pensava em inclusão, aceitação, políticas públicas e nem mesmo diagnóstico. Então apresento a vocês, através de algumas perguntas que elaborei, seu José, meu paizinho coisinha mais lindinha desse mundo. 

    Aspiesincero: Apresente-se para todos e conte um pouco sobre você. 

    Papai: Meu nome é José Cordeiro, tenho 62 anos, Sargento aposentado do Corpo de Bombeiros do estado do Paraná. Sou casado há 43 anos e tenho três filhos e quatro netos. 

    Aspiesincero: Seus três filhos estão dentro do espectro autista? 

    Papai: Sim, somos uma família atípica. 

    Aspiesincero: Você percebia, durante a infância deles, que eram diferentes das outras crianças? 

    Papai: Sempre foram diferentes, mas por falta de conhecimento na época, não sabia o porquê de tal diferença. Mesmo entre eles, cada um apresentava características peculiares que os diferenciava dos demais. 

    Aspiesincero: Qual eram as maiores dificuldades que você enfrentava durante esse período? 

    Papai: Com certeza as maiores dificuldades ocorreram durante o período escolar. Eles tinham muitos problemas com os métodos de ensino, com a comunicação e socialização na escola. Eram muitas vezes tidos como indisciplinados e rebeldes. Visitas à escola, ou melhor, convocações para que eu comparecesse a escola era algo corriqueiro. Apesar de tirarem notas boas, o jeito diferente de ser deles não era bem visto pelos professores. O Fábio chegou a ser proibido de assistir aulas junto com os colegas e ainda assim, após ser aprovado em todas as matérias foi convidado a se retirar do colégio, ou seja, foi expulso por ser diferente. Apesar de todos nas escolas reclamando dos meus filhos e sem eu saber que eram autistas, eu sempre soube que eles não estavam errados e os defendia todas as vezes em que eu era chamado a comparecer. 

    Aspiesincero: Você acha que a falta de diagnóstico limitou seus filhos de alguma maneira? 

    Papai: Realmente o diagnóstico não era uma realidade na época, não se falava em autismo e não tinha o tanto de informações que temos hoje. Mas eu vejo que mais do que a falta do diagnóstico, foi a falta de compreensão com os diferentes que mais pesou no desenvolvimento dos meus filhos, afinal não sabiam que eles eram autistas mas que eram diferentes e era notório. Aceitar as diferenças independe de rótulos. 

    Aspiesincero: Ter o diagnóstico deles, mesmo depois de adultos, fez alguma diferença para você? 

    Papai: Fez muita diferença, pois pude adaptar alguns comportamentos meus e até algumas cobranças que hoje percebo serem indevidas quando se trata de pessoas com TEA. Ajudou ainda a compreender várias coisas do passado que eu não entendia e até me cobrava. Consegui ver coisas que acertei, coisas que errei, mas muito mais importante do que isso, vi que independentemente de erros e acertos, vendo as pessoas que meus filhos se tornaram eu pude entender que quando se cria com amor o resultado sempre é positivo. 

    Aspiesincero: Qual o recado que você daria para um pai que está recebendo o diagnóstico de TEA do seu filho agora? 

    Papai: Procure se informar da melhor maneira sobre o autismo para poder ajudar no desenvolvi- mento do seu filho, amenizar o que pode ser amenizado, estimular o que pode ser estimulado e lutar pelo e com seu filho nessa jornada. Saiba que existem muitas maneiras de amar e demonstrar afeto e seu filho autista será a grande oportunidade que você terá de perceber isso! 


    É isso aí pessoal, com algumas poucas perguntas eu pude mostrar um pouco do meu pai para vocês e na intenção de presenteá-lo com uma homenagem nesse dia dos pais, foi ele que me presenteou com uma porção de sua sabedoria. Só tenho a agradecer meu pai por tudo que fez e faz por mim, pelos meus filhos e por toda a família. 

    Te amo, feliz dia dos pais! 


    Sobre o autor: @aspiesincero é codinome de um autista adulto de 39 anos, pai orgulhoso e filho mais orgulhoso ainda. Escreve por lazer, lê por prazer, discorda por costume. Implicante com barulhos mas fala gritando. Seu dom, rir de si mesmo.
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    Sinopse: Neste guia você não vai encontrar técnicas ou fórmulas mágicas, pois o que escrevi aqui são experiências reais e servem de base para que você entenda como meu cérebro autista funciona na prática. Aqui você será espectador e verá a vida através do olhar de quem sente na pele as mesmas sensações que você. Sempre com leveza e bom humor te ensino a não surtar nesse mundo onde a gente se sente um E.T.

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