• Coluna do Aspie - Canabidiol

    Olá amigos!

    Venho recebendo muitas perguntas sobre o uso medicinal da maconha e seus componentes e vou falar aqui a minha opinião, especialmente em relação ao autismo.

    Quando se fala de maconha a primeira coisa que me chama atenção é todo o tabu que envolve o assunto. Posso notar até um certo preconceito bobo (se é que algum preconceito não é bobo) quando o tema vem à tona. A segunda coisa que percebo, é que atropelam um pouco a ordem das discussões e ao invés de se falar em liberação do cultivo para pesquisas e estudos, já se fala em liberação para o uso. Para que se pense em uso primeiro temos que conhecer toda a eficácia e os riscos.

    Atualmente, o que se tem liberado para uso seguro do canabidiol é na incidência de epilepsia severa e de difícil controle. Então, no caso do autismo seria seguro usar quando existir como condição coexistente esse tipo de epilepsia. Canabidiol não tem sua eficácia e segurança comprovada para autismo!

    Agora falando sobre eficácia e segurança: quando se faz uso de qualquer medicação é necessário que se pense na relação risco x benefício. Não se pode apenas usar tal substância e através de observação empírica, dizer se é ou não boa para utilização. O que quero dizer com isso é que não basta usar o canabidiol em uma pessoa autista e observar que está fazendo efeito, deixando a pessoa mais calma, diminuindo crises, etc para que se possa ser usado a revelia.

    Apesar das potenciais propriedades terapêuticas da maconha, ainda há um grande desconhecimento dos seus substratos neurais. A escassez de pesquisas examinando como o uso frequente afeta o cérebro humano, se é capaz de produzir prejuízo cognitivo ou se pode induzir a transtornos psiquiátricos após a interrupção do tratamento por exemplo, ainda é uma barreira para a segurança da utilização dessa substância.

    Usando o exemplo da epilepsia grave de difícil controle, podemos observar e entender melhor esse conceito de risco x benefício. Uma pessoa com esse tipo de epilepsia, tem um risco iminente de morrer em decorrência dessas crises se não conseguir controlar com nenhum medicamento. Então nesses casos, o benefício do uso do canabidiol ultrapassa enormemente os riscos, pois ao ajudar a cessar as crises, diminui o risco imediato de morte no indivíduo. Ou seja, nessa situação seria mais seguro usar a substância do que não fazê-lo, mesmo que a longo prazo ainda não se tenha definição de como o uso afeta a pessoa.

    Por isso, o que precisamos num primeiro momento é que se faça a liberação do cultivo e uso da maconha para estudos no maior número de países possível, para que possam fazer pesquisas amplas e replicá-las. Os resultados que avaliam o impacto da utilização sobre a morfologia cerebral ainda são inconclusivos ou contrastantes devido ao número reduzido de trabalhos e com amostras muito modestas.

    Novamente enfatizo que devemos deixar esses estigmas sobre a maconha de lado para poder procurar e acessar todos seus benefícios que me parecem promissores. Só para fazer um paralelo, vejam o exemplo do ópio que também já foi visto como uma droga muito prejudicial, mas que através de estudos e pesquisas, tornou-se a origem de medicamentos analgésicos dos melhores e mais potentes do mundo e que ajudam muita gente, como a morfina por exemplo.

    Abraços do Aspie e podem continuar mandando suas dúvidas e sugestões através da página no Instagram @aspiesincero.


    Sobre o autor: @aspiesincero é um codinome de um autista adulto que não tem identidade conhecida apesar de que rolam uns boatos de que já circulam algumas fotos dele por aí. Escreve de teimoso mas seu forte é... é... seu forte é teimar mesmo. Fica triste se não o convidam para as festas mas nunca vai quando é convidado. Ler é seu hiperfoco mas rir de si mesmo é seu verdadeiro dom.
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    Sinopse: Neste guia você não vai encontrar técnicas ou fórmulas mágicas, pois o que escrevi aqui são experiências reais e servem de base para que você entenda como meu cérebro autista funciona na prática. Aqui você será espectador e verá a vida através do olhar de quem sente na pele as mesmas sensações que você. Sempre com leveza e bom humor te ensino a não surtar nesse mundo onde a gente se sente um E.T.

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