• Coluna do Aspie - Autistas têm Empatia?



    Olá amigos,

    Vamos falar de um assunto do qual recebo muitas perguntas e vejo que ainda existem muitas dúvidas a respeito: a empatia nos autistas.

    Existe um mito de que autistas não tem empatia e digo: temos sim! Mas por que então esse mito? Acontece que quando se faz essa afirmação de que não somos empáticos, está se analisando o fato por uma visão neurotípica. Como sempre digo, autistas têm uma maneira diferente de ver o mundo e de encarar as coisas. Só porque não demonstramos tal sentimento como espera um neurotípico, não significa que não o sentimos.

    Se uma pessoa próxima, um ente querido ou alguém de quem gostamos sofre por algum motivo, nós também sofremos, sentimos tristeza e nos abalamos junto com a pessoa. Sentimos, muitas vezes até de forma mais intensa, pois quando gostamos de alguém é intenso e é de verdade. Dificilmente um autista finge gostar de alguém. Mas por que não demonstramos isso? Aí entram algumas questões... 

    É fato que autistas têm dificuldade em atenção compartilhada. Pode ser que não demonstremos pelo simples fato de que não percebemos a tristeza no outro. Isso não tem a ver com insensibilidade e sim com a falta de percepção. Por exemplo, quando uma mamãe está triste e bate o dedinho na quina e chora e seu filho parece não se importar com seu sofrimento, pode ser apenas pelo fato de que ele não entenda ou não tenha notado a situação.

    Outra coisa notória no espectro é que temos dificuldades em demonstrar sentimentos. Não é fácil expressar o que sentimos e muitas vezes quando tentamos fazê-lo, acabamos demonstrando em forma de crises ou de maneira que possa parecer fria e grosseira, por tentar trabalhar de uma maneira muito lógica sobre o assunto. Pense no mesmo exemplo anterior: pode ser que seu filho tenha percebido, mas daí até ele saber o que fazer tem uma longa distância. Ele poderia abraçar, mas será que iria resolver se nem ele, muitas vezes, gosta de abraços? Ele poderia dizer algo, mas a cabeça do autista trabalha de maneira tão diferente que até ele pensar no mais apropriado a se dizer, talvez já seja tarde demais. E se ele nem souber falar? Ele pode ficar quietinho, sofrer por dentro junto com a mãe, colocar-se no lugar dela e não demonstrar apenas por sua incapacidade de fazer isso de forma efetiva.

    Esses são apenas alguns exemplos de como existem vários motivos que não a falta de empatia para agirmos de maneira diferente do que se espera e nem por isso quer dizer que não sentimos e que não nos colocamos no lugar do outro. Então quando presumir algo sobre autistas, veja se não está com uma visão muito limitada sobre o assunto, apenas olhando sobre sua perspectiva ao invés de também olhar com outros olhos o mundo ao seu redor. E lembre-se, todos estamos num processo contínuo de aprendizado e o melhor caminho é sempre dialogar e tentar entender o outro.

    Abraços do Aspie espero que tenha conseguido esclarecer um pouco do assunto. Continue enviando suas dúvidas no Instagram @aspiesincero


    Sobre o autor: @aspiesincero é um codinome de um autista adulto que não tem identidade conhecida apesar de boatos de que já foi avistado por transeuntes, que o reconheceram através de sua silhueta, nas ruas de Curitiba onde reside. Escreve porque é teimoso mas seu forte é gostar. Comedor de pizza astuto e bebedor de guaraná. Ler é seu hiperfoco mas rir de si mesmo é seu verdadeiro dom.
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    Sinopse: Neste guia você não vai encontrar técnicas ou fórmulas mágicas, pois o que escrevi aqui são experiências reais e servem de base para que você entenda como meu cérebro autista funciona na prática. Aqui você será espectador e verá a vida através do olhar de quem sente na pele as mesmas sensações que você. Sempre com leveza e bom humor te ensino a não surtar nesse mundo onde a gente se sente um E.T.

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