Vida de Autista

Eu sou Autista

Daniela Sales


Eu sou a Dani e no final de 2017 ouvi da minha terapeuta o diagnóstico que mudou minha vida. Fui diagnosticada com TEA - Transtorno do Espectro Autista, no meu grau antes chamado Síndrome de Asperger.
Após o diagnóstico, aos 42 anos de idade, finalmente conheci a mim mesma e então resolvi abraçar a causa do autismo na vida adulta. Existem milhares de autistas sem o diagnóstico sofrendo nos consultórios, usando antidepressivos, ansiolíticos e toda e qualquer droga que torne a vida mais leve.
No Instagram, no YouTube e aqui no site conto um pouco das minhas experiências e descobertas sobre esse mundo tão fascinante do autismo. Ser diferente é normal :)

Me

Consultoria Empresarial, Palestras e Treinamentos


A consultoria é feita por mim, autista, grau leve com formação em Administração de Empresas e ampla experiência no mercado. É voltada para microempresas, empresas de pequeno porte e MEI (Microempreendedor individual) de qualquer segmento de atuação. Um grande diferencial é minha visão como profissional e empreendedora dentro do TEA. Essa visão é ideal para o autista que deseja se tornar empreendedor ou que já tem uma empresa ou ainda para a empresa que deseja incluir o autista como público alvo ou que tem ou quer ter profissionais autistas nas vagas PCD. Palestras de conscientização em empresas ou escolas e treinamentos para inclusão do profissional autista nas organizações.
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  • Coluna do Pádua: A polêmica série “Os Treze Porquês”

    Coluna do Pádua: A polêmica série “Os Treze Porquês”


    A polêmica série “Os Treze Porquês” 

    A série “Os Treze Porquês” (13 Reasons Why, no original) é hoje um conteúdo singularmente polarizador. Inicialmente logrando muito sucesso entre todos os tipos de público, neuro-típicos, neuro-divergentes e até mesmo profissionais da saúde mental, a produção da Netflix causou inúmeros debates sobre a conscientização de problemas mentais, como ansiedade e suicídio. 

    Não foi para menos. A série de fato trazia uma aparente preocupação para com os neuro-divergentes e com isso, amealhou um sucesso inquestionável de público. Some-se a isso uma bem inspirada produção e fotografia e você tem um conteúdo aparentemente inspirador, que parece realmente querer ajudar as pessoas.

    Infelizmente, na minha opinião, só parece. 

    Com a devida vênia, eu vos digo, companheiros: “Os Treze Porquês” é uma cilada da pior espécie. A série descumpre todos os manuais de psicologia contemporânea. Na trama, a personagem principal Hannah Baker cria um contexto de vingança pessoal através do suicídio, não apenas assombrando todos aqueles que ela julga responsáveis pelo ocorrido, mas também torturando psicologicamente Clay, o co-protagonista, revelando apenas na décima primeira fita que o garoto não tinha culpa alguma, permitindo que o mesmo fosse atormentado por crises de consciência durante praticamente todo o processo. Há no mínimo duas cenas de estupro na primeira temporada, e uma explícita na segunda, com um garoto sendo violentado sexualmente com um teor gritante de detalhes. Há ainda uma cena de suicídio EXPLÍCITO ao final da primeira temporada e uma cena excruciante de incitação ao suicídio na segunda, onde um garoto encontra uma bala de revólver (!!!!) em seu armário da escola.

    Diante de todas essas barbaridades, o resultado não poderia ser diferente: profissionais da saúde, entre psicólogos e psiquiatras, não apenas fizeram o óbvio de condenar as chocantes e explícitas cenas acima referidas (o que levou a Netflix a excluir a famigerada cena de suicídio), mas também criticaram o fato de a série romantizar o suicídio, flertando com a narrativa de que Hannah poderia, no final das contas, estar agindo de maneira vilanesca ao fazer de seu suicídio, em última instância, um longo calvário para todos os que eram por ela considerados de alguma sorte culpados. Houve entre os personagens, certamente, quem merecesse algo assim? Pode até ser, se pensarmos sobre as circunstâncias. Mas isso não justifica de forma alguma que uma garota ou quem quer que seja faça de seu suicídio uma opera de vingança póstuma.

    Mas por que, afinal de contas, a tal “preocupação” com problemas mentais de “Os Treze Porquês” não passa de bravata? 

    Simples. Porque a cada episódio, a alegada preocupação é dissolvida no mar de barbaridades gráficas que a série mostra. Conteúdos acionadores de gatilhos para neuro-divergentes são disparados a cada cinco minutos. Além do mais, cada um dos treze episódios de cada temporada é imenso, com ritmo lento, fazendo a visualização da produção ser ainda mais excruciante para além da esfera da saúde mental. 

    Até quando a fetichização dos problemas mentais vai reinar incólume às custas da vida de pessoas reais, que têm esses problemas e que com isso acabam sofrendo tanto? O percentual da sociedade que consome “Os Treze Porquês” é expressivo (não à toa a série tem atualmente três temporadas e uma quarta está confirmada) e é a mesma que acaba tornando pior o mundo para os neuro-divergentes que eventualmente diz querer proteger. É a mesma que ignora autismo em adultos e as enormes taxas de depressão e suicídio na vida real.

    Por outro lado, há conteúdos superdivertidos, saudáveis, relevantes e que não deixam de ser eloquentes, como “Atypical”, também disponível na Netflix, que têm ganhado força nos últimos anos. “Atypical” pode ser sobre um garoto autista, suas conjecturas e incertezas acerca do mundo em que vive, mas é um ótimo exemplo de como produzir um debate consciente e firme sobre neuro-divergentes em geral, sem deixar de lado a delicadeza e a serenidade necessárias para tanto.

    Ser autista ou portador de qualquer outra condição neuro-divergente neste mundo é muito difícil. À luz dessas circunstâncias, antes de chocar e atentar a paz dos sentidos do público, devemos ter empatia com ele e tratá-lo com firmeza, mas sem deixar de lado a delicadeza.

    Nesse âmbito, ou se é “Atypical” ou se é “Os Treze Porquês”.

    Sobre o autor:
    Meu nome é Pádua, tenho 26 anos e sou autista. Sou fotógrafo e amo o que faço! Nas horas vagas, gosto de escrever, pois considero uma atividade super divertida e produtiva. Aproveitem a coluna sem moderação!



  • Coluna do Aspie - As crônicas de Spinner

    Coluna do Aspie - As crônicas de Spinner

    Olá amigos!

    O ano é 2017, descobri que tenho um filho autista. Meus dois filhos mais velhos são normais, mas o mais novo está sofrendo desse mal. Não está sendo fácil, são muitas informações por toda parte, muita coisa nova para assimilar.

    Tudo está sendo muito estressante, estou me acabando em nervos. Quero ajudar o meu filho e estou procurando o melhor para ele. As pessoas não aceitam bem quem é estranho e não quero que ele sofra.

    Ele tem comportamentos esquisitos, fica mexendo os dedos sem parar e às vezes, quando o ambiente agita, ele fica balançando para frente e para trás, aí depois ele pára e volta a ficar calmo e tranquilo. Muito difícil fazer esse comportamento cessar e acho um pouco feio quando ele faz isso. E as pessoas não aceitam bem quem é estranho!

    Daqui a pouco começam as terapias, espero que ajudem ele a parar com essas manias que todo mundo estranha. Ele também não brinca direito, usa os brinquedos de forma diferente, ao invés de empurrar o carrinho fica girando as rodinhas. As terapias hão de ajudar nisso também. Estou muito estressado, espero que algum dia ele consiga se portar o mais próximo da normalidade possível.

    Ainda bem que essa semana, passando pela banca de jornais me deparei com um objeto curioso. Chama Fidget Spinner segundo o rapaz da banquinha. Perguntei pra que servia e ele disse que estava muito na moda, servia para acalmar... E não é que é bom mesmo! Comprei um para mim e foi ótimo, até comprei para meus filhos mais velhos também que estavam um tanto quanto agitados com toda essa situação.

    Está todo mundo usando, em todo lugar que olho tem alguém com um na mão. Incrível como algo tão repetitivo pode ajudar tanto, afinal é muito normal que fiquemos calmos com algo tão simples e prazeroso. Quisera eu ter inventado isso antes, pois me parece claro que esses rodopios acalentam.

    Mas agora chega de conversa que meu caçula vai entrar na terapia. Uma hora aqui esperando, mas farei o possível para ajudá-lo. Espero o tempo que for preciso! Ainda bem que tenho meu Spinner aqui para me acalmar.

    FIM

    O Fidget Spinner é um Stim Toy que foi criado na década de 90 visando ajudar crianças autistas e com TDAH. Acabou viralizando nos EUA e em vários países do mundo como um brinquedo "normal" chegando ao Brasil por volta de 2017 onde virou uma verdadeira febre entre adultos e crianças.

    Difícil não notar que quando algum comportamento se espalha passa a ser aceito como dentro de um padrão de normalidade enquanto o que não nos parece típico é visto com estranheza.

    Os Stims são importantes para os autistas e antes de procurar reprimir esse comportamento devemos pensar se a intenção é acabar com algo realmente prejudicial à pessoa autista (e existem Stims prejudiciais sim que devem ser substituídos), ou se estamos apenas querendo colocar a pessoa dentro de um padrão de normalidade para satisfazer um desejo nosso em detrimento ao bem estar da criança.

    Enfim, espero que esse texto provocador ajude com algumas reflexões. Abraços do Aspie e continuem enviando sugestões e perguntas ao @aspiesincero no Instagram. Até a próxima pessoal!


  • Coluna do Pádua: Crítica do filme As cinco pessoas que você encontra no céu

    Coluna do Pádua: Crítica do filme As cinco pessoas que você encontra no céu


    CRÍTICA

    As cinco pessoas que você encontra no céu
    (Título original: The Five People You Meet in Heaven)

    O cinema é uma arte diversa e cativante. Sua capacidade de envolver o público passa tanto pela execução das características técnicas do projeto – isto é, produção, roteiro, atuação etc - quanto pelas intenções por trás das mentes criativas por trás de cada filme. Existem filmes que capricham no aspecto técnico e se saem tão bem que arrancam emoções diversas do espectador (Mad Max: Estrada da Fúria, por exemplo), ou até os que conseguem extrair o máximo de ambos os aspectos (o caso de Coringa, o último longa que analisei para o site).

    Quanto ao presente filme, fica bem nítido que tudo gira em torno das ideias do roteirista e do seu objetivo no final das contas. E isso não é surpreendente, uma vez que “As cinco pessoas que você encontra no céu” é um telefilme (isso é, um filme feito para a televisão) roteirizado por Mitch Albom, a mente por trás de um livro de mesmo nome. Lançado em 2004, um ano após o lançamento de seu homônimo original, este filme tem nuances típicas de um filme lançado para as telinhas e isso pode deixar a desejar um pouco para públicos acostumados a filmes lançados para cinema. O filme é longo e poderia ser um pouco mais resumido. Mas para mim, que já vi obras como “It – uma obra prima do medo” (1990) e “Rose Red – A Casa Adormecida” (2002) a experiência não chegou a incomodar.

    O roteiro é interessante, principalmente pela sua não-linearidade, isto é, ele não segue uma história em linha reta do começo ao fim; por outro lado, sugere ao espectador, através dessa dinâmica diferente, uma nova perspectiva sobre a vida e a morte, e nisso se sai muito bem. Porém o autor pecou ao restringir bastante as propostas de reflexão de seu roteiro, sem deixar tanto espaço no próprio filme para o espectador pensar fora da caixinha. Há também as narrações prolixas e os diálogos, muito expositivos, que contribuem para o fechamento da ideia do filme em si mesma. Contudo, essas são nuances pequenas perto de alguns grandes acertos técnicos do filme, que contribuem de maneira relativamente sutil com a mensagem proposta. Além disso, a forma como cada espectador apreciará o filme a partir de suas próprias experiências pessoais poderá fazer com que tal significado se dilua em meio a várias possíveis reflexões, que podem ocorrer em paralelo à ideia específica do filme, para a qual nos voltaremos agora.

    O dia de finados, celebrado anualmente no dia 2 de novembro em nosso calendário, é uma data na qual algumas religiões, e em especial a católica, homenageiam os entes queridos que já faleceram. Para os católicos, é comum a crença de que o sofrimento é uma virtude, e assim essas homenagens geralmente são prestadas não apenas com deferência, mas também com certa melancolia. Falar dos mortos parece sempre um tabu e a morte, apesar de certa e inevitável para todas e todos, é sempre vista com receio.

    E é aqui que temos um dos propósitos mais fortes do longa. Albom propõe, em sua obra, um olhar positivo e otimista sobre a morte e tudo o que ela representa. Seguindo uma visão cristã dos conceitos de Céu e Inferno, ela nos mostra o protagonista Eddie “Manutenção” (muito bem interpretado por Jon Voight) a partir do momento de sua morte e sua jornada em busca das cinco pessoas que ele deveria encontrar no Céu.

    A partir dali o espectador é convidado a mergulhar, junto com Eddie, em uma resignificação da vida a partir do aprendizado do protagonista sobre as vidas que ele tocou, direta ou indiretamente e de forma positiva ou negativa. Cada uma dessas pessoas lhe aparece para ensinar, uma por uma, valiosas lições sobre variados aspectos inerentes à vida, como o valor do amor, do sacrifício e do perdão, tudo como parte de uma simples, porém singular e poderosa mensagem: sua existência, por mais simples que tenha parecido, teve um significado importante para todos os que ela passaram.

    Essa é uma perspectiva bem positiva sobre a vida, mas vai além. Essa forma de ver a vida possibilita todo uma resignificação sobre o que é a morte e o que ela representa para nós. Se geralmente temos um olhar pessimista e desalentador sobre a morte, este projeto traz um olhar extremamente otimista, não apenas nas ideias explicitadas pelo roteiro, mas também no visual do filme. A fotografia escura e fria parece mostrar como o personagem vê a si mesmo em vida, algo simples, fracassado e sem propósito, com certa nostalgia dos tons meio amarelados nos flashbacks. No céu, entretanto, é tudo muito colorido e vibrante, com planos de câmera que engrandecem a vida e obra do protagonista. Aos poucos, vamos entendendo que o filme nos propõe, finalmente, que a morte pode ser encarada com otimismo, suavidade e, por que não, até com um pouco de... humor?

    O projeto tem um viés religioso muito explícito, principalmente nas representações de céu e inferno. Mas, curiosamente, aqui temos pouco sobre o Deus cristão propriamente dito. Isso torna este longa muito mais aberto a interpretações outras que não o significado estritamente religioso e permite ainda mais ao espectador imergir na narrativa com base nas próprias vivências. Para mim, que sou ateu, o filme trouxe sensações mistas. Se por um lado não tenho a menor afinidade com os conceitos metafísicos/teológicos de céu e inferno, por outro me ocorreram diversas catarses pessoais, principalmente no desfecho. A conclusão é que não é necessário ser religioso para apreciar este filme e absorver a experiência que ele proporciona. Na verdade, talvez a experiência possa vir até a incomodar alguns religiosos, pela forma positiva e até engrandecedora com que ele retrata o post mortem.

    Contudo, a quem se permitir experimentar este longa, uma bela jornada de resinificação da vida e da morte, da morte e da vida, lhe aguarda.

    Nota: 8,0

    Sobre o autor:
    Meu nome é Pádua, tenho 26 anos e sou autista. Sou fotógrafo e amo o que faço! Nas horas vagas, gosto de escrever, pois considero uma atividade super divertida e produtiva. Aproveitem a coluna sem moderação!

  • Coluna do Aspie: Autismo tem graça?

    Coluna do Aspie: Autismo tem graça?

    Olá amigos!

    Esses dias fui questionado no Instagram por alguém que me criticou por "brincar" com o Autismo e resolvi falar um pouco sobre isso e sobre as intenções por trás de tal "brincadeira". Apenas para contextualizar, a pessoa que fez tal crítica é neurotípica e não foi grosseira ou ofensiva em nenhum momento, apenas queria entender se a página do @aspiesincero não poderia soar ofensiva a alguém.

    Primeiro vamos a alguns fatos importantes e um tanto quanto incômodos. Pesquisas recentes mostram que autistas estão morrendo muito mais cedo do que a população em geral. As duas principais causas de óbito em adultos são epilepsia e suicídio. 

    Em relação a epilepsia o que se pode fazer é buscar os tratamentos disponíveis e com eficácia comprovada cientificamente para sanar ou ao menos amenizar a situação.

    Agora pensando um pouco na outra causa de morte precoce, vou falar do propósito das piadas do Aspie Sincero. Todos sabemos das dificuldades inerentes ao espectro devido as questões diretamente relacionadas ao autismo, bem como as questões ligadas a falta de aceitação, inclusão e entendimento por parte da sociedade. Nesse sentido, é de extrema importância que se tente amenizar as situações que possam acarretar em fatores que levem a uma tristeza severa, baixa auto estima e até mesmo depressão.

    Seguindo nesse raciocínio, é primordial que se possa mostrar também os lados positivos do TEA, saber rir das situações que se dão em ocasião das nossas características, promover nossas qualidades e elevar e ressaltar um orgulho de ser como somos buscando um caminho de aceitação tanto da população em geral, como também a auto aceitação.

    Quando faço uma piada, uma brincadeira, mostrando tanto as dificuldades como as qualidades de maneira bem humorada, eu espero que as pessoas autistas se reconheçam, se identifiquem e se divirtam e que as pessoas neurotípicas, pais, parentes e todo mundo aprendam, entendam, informem-se e aceitem as características autísticas.

    Buscar amenizar as dificuldades, ressaltar as potencialidades sem subjugar nenhuma das duas coisas é algo que, de forma leve, o humor pode proporcionar. Sempre vi o humor como caminho para promover o orgulho de ser o que somos, ou seja, o ORGULHO AUTISTA!

    E antes que surjam outras críticas, aproveito para dar minha visão e esclarecer que o orgulho autista não visa camuflar os fatores limitantes que estão presentes no autismo e que sentimos na pele todos os dias, mas sim ressaltar que ainda assim podemos ter uma vida plena, sermos felizes e mostrar ao mundo várias qualidades que possuímos e que podem ser sensacionais se bem aproveitadas.

    Claro que não tenho a pretensão de achar que alguns memes possam solucionar ou explicar toda a complexidade do TEA, mas se puder dar uma pequena contribuição, amenizar o sofrimento de alguém, alegrar o dia de alguma pessoa, trazer alguma informação nova ou reforçar alguma informação importante, fazer alguém sentir que não está sozinho nesse mundo e que existem outras pessoas com semelhanças que mostrem que a pessoa não é apenas um estranho num mundo hostil, já me dou por satisfeito.

    Caso algum autista sinta desconforto com alguma postagem, pode me procurar e conversaremos. Caso algum neurotípico sinta algum desconforto, claro que sempre estarei aberto a conversas também, mas só peço que primeiro verifique se tal incômodo não se dá por que você foi retirado de sua zona de conforto e foi levado a pensar sobre determinada situação da qual já tinha uma opinião formada e nem mesmo sabia o porquê.

    Abraços do Aspie e continuem enviando sugestões e dúvidas para o @aspiesincero no Instagram!

    Sobre o autor: @aspiesincero é codinome de um autista adulto que através de memes bem humorados busca propagar informações, conscientizar e tornar cada vez mais conhecido esse mundo do TEA. Gosta de escrever porque dá para fazer com apenas uma das mãos enquanto segura uma fatia de pizza na outra. Ler é seu hiperfoco mas rir de si mesmo é seu verdadeiro dom.
  • Coluna do Pádua: Crítica do filme Coringa

    Coluna do Pádua: Crítica do filme Coringa


    “Espero que minha morte faça mais centavos do que minha vida.”

    Não há outra forma de começar essa crítica senão falando que “Coringa” é uma obra de arte fenomenal. Fenomenal mesmo, em todos os possíveis sentidos da palavra. Parte pelos feitos que consegue alcançar em todos os aspectos de produção e arte, parte pelos fenômenos reacionais propriamente ditos que o projeto consegue extrair de seu público. É um filme que consegue extrair da plateia as mais diferentes reações e sensações.

    O roteiro dá uma aula de arcos dramáticos a tal ponto que praticamente não sentimos a mudança de atos, exceto por alguns momentos-chave muito específicos e marcantes, que envolvem diretamente as mudanças de personalidade e comportamento do protagonista. Todo o desenvolvimento, ainda assim, é incrivelmente gradativo e se dá tão naturalmente que não é difícil o espectador por muitas vezes se pegar cheio de empatia para com as dores existenciais e até por algumas atitudes de Arthur Fleck. 

    Minha preocupação antes do filme seria sobre uma eventual romantização ou pior, transformação do vilão em herói pelos olhos da direção. Felizmente, essa preocupação não se concretizou. A direção de Todd Phillips é perfeita e dá coesão a todo o projeto, elaborando toda a estrutura narrativa do filme, a meu ver, a partir de dois pontos sumariamente importantes: uma perspectiva equilibrada sobre as ações e reações do personagem: isto é, vemos um homem tendo uma vida ruim e dias terríveis. O diretor simplesmente nos mostra as consequências disso, tanto o agravamento dos problemas mentais de Arthur Fleck quanto o caos que ele acaba por provocar a todos à sua volta. Por outro lado, há também o olhar narrativo de Fleck sobre sua própria história e isso favorece a variedade de reações possíveis ao projeto como um todo; temos uma mudança gradativa do olhar do protagonista sobre si mesmo e isso faz o filme como um todo crescer. 

    E aqui temos um trabalho de fotografia extremamente eficiente, que começa em planos melancólicos e opressores sobre o protagonista, com cores esverdeadas que lembram algo sujo e mal-acabado, e vão se transportando gradativamente para tons mais amarelados e coloridos a medida que o olhar do personagem sobre si mesmo vai se tornando menos opressor e mais libertador, e aqui temos também planos engrandecedores e algo empoderadores. E não se enganem: isso é proposital da direção para simular não um apoio ao enlouquecimento de Fleck, mas sim sua própria perspectiva. Ele se vê assim. Ele quer se ver assim. E isso tem efeito na perspectiva do espectador.

    E isso nos leva à cereja deste delicioso bolo: as atuações. O trabalho de Joaquin Phoenix neste filme é simplesmente extraordinária. Seu Arthur Fleck é desajeitado e atormentado, mas ainda assim tenta ser uma boa pessoa, como vemos no começo até meados da metade do filme. Sua composição de personagem vai mudando gradativamente até chegar num ponto que, quando mal percebemos, já estamos vendo o Coringa propriamente dito em tela, pois é muito “natural” e verossímil a transformação. A partir do momento que vemos finalmente o Coringa, tudo é muito mais colorido, os planos o engrandecem e a performance do ator é ainda mais fantástica. A sensação que eu tinha durante a projeção era de que eu queria ver mais disso. 

    Mas há uma questão inquietante sobre as consequências desse projeto e é aqui que tudo se torna mais difícil nesse texto, pois há algumas camadas de subjetividade que não podem nem devem ser ignoradas. Afinal de contas, é possível simpatizar com o Coringa?

    Por um lado, temos todo o estudo de personagem feito em diversas camadas objetivas e emocionais; Arthur Fleck tem problemas graves. um distúrbio que o faz rir descontroladamente de forma involuntária e incompatível com seu estado emocional, sofre bullying gratuito, é debochado pelos colegas no trabalho e depois pelo comediante que ele enxergava quase como uma figura paterna. Há ainda a descoberta sobre os problemas mentais que sua mãe tinha, as agressões físicas a que ela o submetia junto a um namorado... Adicione-se ainda inúmeras camadas de desdém por parte da sociedade, o que vai desde a assistente social que não o escuta adequadamente quando ele fala de seus problemas até sua demissão do trabalho. Em suma: É uma mente muito ferrada, a do nosso protagonista. Aposto que cada um de nós, o público, se identifica com, pelo menos, um desses problemas pelos quais Arthur passa, pois são problemas endêmicos da sociedade que permanecem até hoje, ainda que, nos dias de hoje, haja muito mais cuidado e tentativas de sensibilização e conscientização de tais problemas.

    Quando o personagem vai se transformando em Coringa, porém, a armadilha do roteiro para o espectador dispara. Mas aqui a questão se torna ainda mais gritante: é possível se identificar com o Coringa? Para quem passou pelos mesmos problemas que ele e não consegue enxergar absolutamente nada além da catarse emocional e existencial provocadas por estas cenas, a resposta é sim, já que o personagem cresce a partir do momento que perde qualquer limiar de sanidade e razoabilidade e começa a enxergar sua vida, em suas próprias palavras, como uma “comédia”, em uma clara referência ao Comediante, da HQ “Watchmen”, de Alan Moore. 

    Contudo, de acordo com o escrutínio moral e ético que deveria ser comum a todos e universal, que pauta e permeia o pensamento civilizatório, a resposta óbvia é NÃO. Como dito antes, o filme mostra os problemas do personagem, que causam sua transformação e o que vemos são as consequências disso. Há a intenção de causar essa sensação de catarse quando o personagem se liberta? Como pegadinha do roteiro para fazer o espectador cair numa interpretação errada, talvez sim. Mas este não é um filme fácil de digerir ou contemplar e sua variedade de possíveis significados exclusivamente pessoais é uma das coisas que o tornam fascinante, mas perigoso. Não pelo projeto em si e sim por estas mesmas possíveis identificações, já que o Coringa não é um herói e nem mesmo um anti-herói; é um VILÃO. Todas as atitudes vingativas que ele toma a partir do momento em que se transforma são, sim, vilanescas, quer você queira, quer não.

    O que precisamos entender, no final das contas, é que a transformação de Arthur Fleck em Coringa não tem absolutamente NADA de comédia; ao contrário, é a verdadeira TRAGÉDIA do filme. Este não é um projeto feliz, nem humorístico; “Coringa” é um filme triste e que culmina numa tragédia. Uma tragédia moral. Uma derrota da sociedade como um todo. Uma sociedade que permite que seus membros se afundem a ponto de enlouquecer, está destinada ao fracasso. Pois uma hora, essa loucura se volta contra quem? A própria sociedade. O Coringa não é uma vítima: é um produto da sociedade. E é exatamente por isso que este filme é necessário. Pode não ser o filme que queremos, mas é um filme que, sem dúvida, precisamos. Chamar a sociedade para uma reflexão sobre desigualdades sociais e sobre como tratamos pessoas doentes é algo que faz com que o filme ultrapasse a contemporaneidade fictícia da telona para atingir justamente... os tempos atuais! Afinal, qual época foi tão repleta de discussões sobre saúde mental e desigualdades sociais como a que vivemos atualmente? 

    A questão que resta é... Quando vamos realmente aprender a... cuidar?

    Coringa é um filme fenomenal. Uma obra fascinante e necessária, que junta dois fenômenos em um e se torna um evento de debates sumariamente importantes sobre a sociedade.

    Nota: 10,0

    Assista o trailer oficial legendado clicando aqui


    Sobre o autor:
    Meu nome é Pádua, tenho 26 anos e sou autista. Sou fotógrafo e amo o que faço! Nas horas vagas, gosto de escrever, pois considero uma atividade super divertida e produtiva. Aproveitem a coluna sem moderação!

  • Coluna da Liga - Apresentação

    Coluna da Liga - Apresentação

    Olá pessoal! 

    A partir de agora teremos um espaço por aqui todo mês! 

    Nós somos a Liga dos Autistas, grupo formado apenas por autistas já na fase adulta da vida e nosso objetivo é informar, entreter e conscientizar. Informar à todos o que é e como é o autismo na prática e como convivemos diariamente com as nossas dificuldades e virtudes. 

    Entreter aos que se identificam com a nossa temática, ação que ao mesmo tempo informa, já que a maioria das pessoas têm uma visão de que somos sérios e não sabemos brincar e ainda faz com que outros autistas de todas as idades se sintam pertencentes à um nicho. 

    Conscientizar a população de que somos capazes de viver neste mundo, ter família, trabalho e que tudo bem ser diferente. Nós funcionamos e temos voz. Nos comunicamos de diferentes maneiras, mas sempre nos comunicamos. 

    Temos um grupo de conversa no Whatsapp formado apenas por autistas já diagnosticados e também um perfil no Instagram @liga.dos.autistas com mais de 11 mil seguidores e uma página no Facebook que começamos recentemente, onde compartilhamos diariamente nossas ideias, dicas, informações, pensamentos, memes e esclarecemos as dúvidas levantadas por nossos seguidores, sejam autistas, pais, professores... enfim... todos!

    É fundamental que as pessoas compreendam que cada autista é diferente e é para isso também que estamos aqui. A Liga dos Autistas surgiu da ideia de criar uma ONG de autistas para autistas. Com o tempo, a ideia da ONG deu lugar ao que é a Liga dos Autistas hoje. Um lugar de acolhimento, informação, conscientização e para nós, um escape, que nos possibilita ajudar outras pessoas com as nossas experiências, e interagir com outras pessoas como nós. 

    Esperamos você aqui nas próximas edições! 

    Por Joana Scheer - webdesigner, social media. Responsável pelas mídias sociais da Liga dos Autistas.
  • Coluna do Aspie: Mas você nem parece autista

    Coluna do Aspie: Mas você nem parece autista




    Olá amigos,

    Muitos autistas já ouviram a famigerada frase: "mas você nem parece autista". Hoje vou falar um pouco sobre o que está por trás desse tipo de comentário e espero fazer as pessoas refletirem sobre em que tipo de conhecimento está baseada tal afirmação. 

    O espectro do autismo é muito amplo e as características das pessoas autistas são diversas. Cada pessoa é uma pessoa e cada autista é um autista. 

    Então não ache que o autismo é aquilo que você viu naquela série, que o autista é como aquele personagem daquele filme que você viu aquela vez. O autismo também pode ser isso, mas não apenas isso. 

    Eu sou uma pessoa autista, algumas vezes me declaro assim, outras vezes eu nem toco no assunto e não é preciso que o mundo inteiro saiba que estou dentro do espectro. O que é preciso que todos saibam é que quando alguém diz que é autista ou quando você fica sabendo que alguém é autista, independentemente do que você ache, essa pessoa não é obrigada a provar nada a você. 

    Caso você ache que não viu na pessoa as características que você pensa que os autistas tem que apresentar, apenas aceite que talvez você não conheça muito sobre o TEA ou até mesmo não conheça o suficiente sobre aquela pessoa para poder tirar conclusões. Além do mais, muitas coisas são muito perceptíveis para quem convive no dia a dia com o autista, mas nem sempre podem ser observadas num olhar mais superficial. 

    Afinal, só porque você olhou uma vez e não viu, não quer dizer que não esteja ali! 

    Um abraço do Aspie e continuem seguindo o @aspiesincero no Instagram e mandando suas sugestões, perguntas e dicas de temas para a coluna. 

    Sobre o autor: @aspiesincero é codinome de um autista adulto que através de memes bem humorados busca propagar informações, conscientizar e tornar cada vez mais conhecido esse mundo do TEA. Gosta de escrever porque dá para fazer com apenas uma das mãos enquanto segura uma fatia de pizza na outra. Ler é seu hiperfoco mas rir de si mesmo é seu verdadeiro dom.
  • Coluna do Aspie - Meu filho é TEA e agora?

    Coluna do Aspie - Meu filho é TEA e agora?



    Olá amigos!

    Através da página @aspiesincero no instagram, eu consigo ter uma linha direta de conversa com muitas pessoas envolvidas nesse mundo do TEA. Não é raro conversar com pais que acabaram de receber o diagnóstico do filho e encontram-se um tanto quanto perdidos. Muitos me pedem uma dica, um conselho primordial que possa ajudar com essa nova realidade. Eu não sou capaz de dar um conselho, uma dica apenas que possa servir para tudo, mas vou usar do meu olhar, tanto de pessoa autista como a de pai de autista, para falar um pouco sobre isso hoje.

    Quando vem a notícia que nos tornaremos pais, fazemos uma idealização do filho. Eu digo fazemos, porque também passei por esse processo, também fiz essa idealização do filho “perfeito” quando soube que seria pai. Aí vem o autismo e quebra, num primeiro momento, essa imagem do filho ideal. Eu sei como é se sentir assim, eu me senti assim. Agora, com toda minha vivência o que eu posso dizer a vocês é: não sintam-se culpados por pensarem assim! É normal, esse sentimento vem mas ele passa.

    Quando você se propõe a entender o autismo e o seu filho, vai compreender o quão perfeito ele é e como existem muitas formas de amar e de sentir o amor do seu filho. Você verá o amor nas pequenas coisas, nos detalhes, e vai entender que existe outra maneira de ver as coisas, um jeito puro, direto, sincero e simples de amar.

    Aceite no seu filho suas características, muitas vezes únicas, pois muitas coisas nem você nem ele poderão mudar. Caso seja não verbal, seja sua voz, porém se ele puder falar, escute-o.

    Ajude seu filho em suas dificuldades, a superar comportamentos que podem ser prejudiciais a ele, mas também ajude para que ele possa ter seus comportamentos autísticos respeitados, que ele possa ser respeitado do jeito que ele é sem que tenha que se enquadrar em padrões apenas para agradar ou se adequar em convenções sociais.

    Não posso dizer que será sempre fácil, haverão muitos momentos difíceis, afinal criar um filho é difícil. Para esses momentos difíceis eu vou dar um último conselho que, ironicamente ou felizmente, é o mais fácil de seguir e sou capaz de apostar que esse você já segue. Ame!

    Aceite, ajude, ame!!!

    Um abraço do Aspie e continuem seguindo o @aspiesincero no Instagram e mandando suas sugestões, perguntas e dicas de temas para a coluna.


    Sobre o autor: @aspiesincero é codinome de um autista adulto que de posse de seu senso de humor de qualidade duvidosa, segue em ritmo de festa no instagram. Vive se fazendo de misterioso mas é só convidar para um rodízio de pizza que ele já fica fácil, fácil. Escreve porque tem insônia mas seu forte é procrastinar. Jura que dança com maestria e que poderia ser coreógrafo da carreta furacão.
  • Pré-venda - Guia Prático para autistas adultos

    Pré-venda - Guia Prático para autistas adultos


    Atenção para as regras da pré-venda


    Ao efetuar a compra do livro na pré-venda você está ciente e de acordo com as regras abaixo:

    1- Período e venda

    - O período da pré-venda é de 26/08/19 até 27/09/19;
    - A pré-venda ocorre antes do lançamento oficial do livro que será em outubro de 2019;
    - A venda é feita no site www.vidadeautista.com.br através de boleto bancário ou cartão de crédito;
    - A confirmação de pagamento ocorre em até 03 dias úteis;
    - Após a compra do livro não haverá devolução do valor pago.

    2- Entrega

    - Frete grátis válido somente para o Brasil;
    - Fique atento ao preencher o endereço de entrega e e-mail;
    - Qualquer problema em relação ao endereço informado errado, será cobrado o valor do frete para novo envio;
    - Após a confirmação do pagamento aguarde o e-mail com o código de rastreio do produto;
    - O envio do produto será A PARTIR DE 30/09/19 e ocorre em até 06 (seis) dias úteis, não contando o dia da postagem;
    - Caso sejam feitas 03 (três) tentativas de entrega sem sucesso, o produto é devolvido e será cobrado o valor do frete para novo envio.


    3 - Livro autografado

    - O livro adquirido na pré-venda vai autografado. Assim que efetuar a compra, envie um e-mail para contato@vidadeautista.com.br com o(s) nome(s) que deseja.

    Clique aqui para comprar o livro 

  • Coluna da Erika - A Dificuldade de se assumir autista na vida adulta

    Coluna da Erika - A Dificuldade de se assumir autista na vida adulta



    A Dificuldade de se assumir autista na vida adulta


    Uma das grandes dúvidas do autista adulto é: “Devo me assumir como TEA para as pessoas que fazem parte da minha vida?”

    Na minha cabeça, isso deveria facilitar e muito o convívio e o entendimento de ambos os lados e suas diferenças. Logo, falar que está dentro do Espectro deveria ser um facilitador e uma coisa excelente para todos, até para os neurotipicos. Contudo, não é tão simples assim. Nossa sociedade é tão treinada a usar máscaras, a maioria das pessoas performa um personagem, uma versão melhorada de si mesmo o tempo todo. Acho que alguém admitir que tem alguma diferença e/ou dificuldade em alguns casos assusta a maioria das pessoas. Além disso, alguns acham que você está se fazendo de coitado e tentando tirar alguma vantagem ou quer se escorar em alguém. 

    Admita-mos que a maioria das pessoas neurotipicas não quer saber ou entender como uma pessoa TEA pode ser diferente e que nem tudo o que ela faz tem o mesmo significado que para uma pessoa "comum". Infelizmente, se a pessoa não possui alguem da família dentro do Espectro normalmente não possui nenhuma curiosidade sobre o tema. 

    Na verdade, ao contrário de nós, que gostamos muitas vezes de colecionar conhecimento sobre várias coisas que muitas vezes nem vamos usar, a pessoa "comum" muitas vezes só foca naquilo que pode usar em seu favor ou que lhe é útil de maneira mais imediata ou num prazo médio. Eles não estão errados, invejo muito essa capacidade (pois, em mim é uma das minhas dificuldades), mas eu acho que isso limita a achar que tudo que é "válido, normal, certo... real" é apenas o que eles podem entender de imediato.

    Por causa desse posicionamento dos neurotipicos, nós dentro do TEA sofremos muito na vida adulta por conta das ideias pré-concebidas, básicas, errôneas, sem contexto e esteriotipada, que todos têm sobre autismo. A ideia de que o "autismo é algo que acontece com crianças, meninos, que tem stims (esteriotipias) muito grandes e obsessivas, que não tem empatia, são claramente distantes. Muitos deles gritam causam "problemas" e não se expressam muito bem, alguns são violentos. Ahhh... alguns deles ficam arrumando as coisas".

    Muitas dessas ideias soltas que são de "conhecimento geral" sobre o autismo possuem um fundo de verdade, para alguns de nós, mas não necessariamente tudo, nem do jeito preconceituoso e limitador que é colocado. Eu sou uma mulher, sou adulta, tenho minhas obsessões temporárias, mas sou capaz de sentir empatia, até mais que muitos neurotipicos. Por ser adulta já consegui aprender a lidar com outros aspectos comportamentais que os pequenos não aprenderam ainda, às vezes fico muito irritada sim, mas não quer dizer que seja violenta, entendem? O contexto, a paciência, até a boa vontade de ler esse texto pode ter ajudado você pessoa "comum" a ver que não somos arquétipos fixos. Somos humanos e como seres humanos temos nossas diferenças e particularidades, não somos uma ficha fixa que preenche todos os requisitos.

    É algo comum se temer o diferente, faz parte do nosso senso de auto preservação, entretanto, não nos temam, não nos excluam de pronto. Quando alguém adulto vier falar com você que é autista ou Asperger (alguns ainda usam esse nome), tente tirar 15 minutos de coração aberto e busque entender o nosso lado. Não estamos tentando tirar vantagems, abusar da boa vontade, nos fazer de coitados ou estamos mentindo (sim, tem gente que pode mentir e tirar vantagem, mas isso é em tudo na nossa vida. Nós autistas sabemos bem como é ser honesto demais e ser passado para trás ou se aproveitarem da nossa boa vontade em ajudar e não entender que estão nos explorando... mas falaremos disso em outro momento).

    Existem pessoas adultas dentro do Transtorno do Espectro Autista, não temos uma cara única. Podemos ser a pessoa do seu lado no ônibus que está com as mãos no ouvido durante uma freada barulhenta (e você julga como fresco), podemos ser seu colega de trabalho que usa fone 80% do tempo e às vezes fica cantando baixinho ou se balançando (e você julga como vagabundo que não está trabalhando sério), podemos ser o crush pra quem você já fez vários joguinhos de sedução e a pessoa continua te olhando como se não entendesse os sinais (e sim, normalmente, não entendemos sutilezas... melhor falar logo).

    Resumo da opereta de hoje: Não desconfie de nós, foi muito difícil chegar ao ponto de se assumir e fizemos isso porque confiamos que podemos ajudar do nosso jeito sendo honestos conosco e com todos. Estamos buscando fazer o nosso melhor, não colabore para que voltemos a nos esconder, isso fará tudo mais dificil para todos nós, porque os neurotipicos não vão entender o por que de nossos atos e nós não poderemos contar com suas habilidades para dar uma ajudinha e fazer toda a comunidade ir em frente, seja no trabalho, em casa, na escola. Com todos crescendo juntos tudo dará certo e nosso mundo será melhor, um mundo mais humano, como nós autistas e como vocês as pessoas "comuns".

    Espero que tenha contribuído para uma reflexão com esse texto. Para quem quiser me achar é só procurar no twitter @being_erika e no instagram @beingerika

    Até a próxima 😉
  • Coluna do Aspie - Especial Dia dos Pais

    Coluna do Aspie - Especial Dia dos Pais


    Olá amigos! 

    Dia dos pais chegando e eu não poderia deixar passar em branco uma data tão especial para mim. Como muitos já sabem, sou pai de dois filhos lindos e maravilhosos que me ensinam todos os dias como algo pode ser o motivo das maiores alegrias e preocupações da vida ao mesmo tempo. Mas, como o dia é dos pais, vou falar com quem entende do assunto muito mais do que eu e de quebra é o responsável pela existência desse que vos fala. Meu pai! 

    Pensei em muitas coisas que poderia escrever sobre ele, mas decidi que o melhor a fazer seria deixar ele mesmo falar sobre sua vivência e coragem para criar três filhos autistas num tempo onde haviam todos os desafios, porém não se pensava em inclusão, aceitação, políticas públicas e nem mesmo diagnóstico. Então apresento a vocês, através de algumas perguntas que elaborei, seu José, meu paizinho coisinha mais lindinha desse mundo. 

    Aspiesincero: Apresente-se para todos e conte um pouco sobre você. 

    Papai: Meu nome é José Cordeiro, tenho 62 anos, Sargento aposentado do Corpo de Bombeiros do estado do Paraná. Sou casado há 43 anos e tenho três filhos e quatro netos. 

    Aspiesincero: Seus três filhos estão dentro do espectro autista? 

    Papai: Sim, somos uma família atípica. 

    Aspiesincero: Você percebia, durante a infância deles, que eram diferentes das outras crianças? 

    Papai: Sempre foram diferentes, mas por falta de conhecimento na época, não sabia o porquê de tal diferença. Mesmo entre eles, cada um apresentava características peculiares que os diferenciava dos demais. 

    Aspiesincero: Qual eram as maiores dificuldades que você enfrentava durante esse período? 

    Papai: Com certeza as maiores dificuldades ocorreram durante o período escolar. Eles tinham muitos problemas com os métodos de ensino, com a comunicação e socialização na escola. Eram muitas vezes tidos como indisciplinados e rebeldes. Visitas à escola, ou melhor, convocações para que eu comparecesse a escola era algo corriqueiro. Apesar de tirarem notas boas, o jeito diferente de ser deles não era bem visto pelos professores. O Fábio chegou a ser proibido de assistir aulas junto com os colegas e ainda assim, após ser aprovado em todas as matérias foi convidado a se retirar do colégio, ou seja, foi expulso por ser diferente. Apesar de todos nas escolas reclamando dos meus filhos e sem eu saber que eram autistas, eu sempre soube que eles não estavam errados e os defendia todas as vezes em que eu era chamado a comparecer. 

    Aspiesincero: Você acha que a falta de diagnóstico limitou seus filhos de alguma maneira? 

    Papai: Realmente o diagnóstico não era uma realidade na época, não se falava em autismo e não tinha o tanto de informações que temos hoje. Mas eu vejo que mais do que a falta do diagnóstico, foi a falta de compreensão com os diferentes que mais pesou no desenvolvimento dos meus filhos, afinal não sabiam que eles eram autistas mas que eram diferentes e era notório. Aceitar as diferenças independe de rótulos. 

    Aspiesincero: Ter o diagnóstico deles, mesmo depois de adultos, fez alguma diferença para você? 

    Papai: Fez muita diferença, pois pude adaptar alguns comportamentos meus e até algumas cobranças que hoje percebo serem indevidas quando se trata de pessoas com TEA. Ajudou ainda a compreender várias coisas do passado que eu não entendia e até me cobrava. Consegui ver coisas que acertei, coisas que errei, mas muito mais importante do que isso, vi que independentemente de erros e acertos, vendo as pessoas que meus filhos se tornaram eu pude entender que quando se cria com amor o resultado sempre é positivo. 

    Aspiesincero: Qual o recado que você daria para um pai que está recebendo o diagnóstico de TEA do seu filho agora? 

    Papai: Procure se informar da melhor maneira sobre o autismo para poder ajudar no desenvolvi- mento do seu filho, amenizar o que pode ser amenizado, estimular o que pode ser estimulado e lutar pelo e com seu filho nessa jornada. Saiba que existem muitas maneiras de amar e demonstrar afeto e seu filho autista será a grande oportunidade que você terá de perceber isso! 


    É isso aí pessoal, com algumas poucas perguntas eu pude mostrar um pouco do meu pai para vocês e na intenção de presenteá-lo com uma homenagem nesse dia dos pais, foi ele que me presenteou com uma porção de sua sabedoria. Só tenho a agradecer meu pai por tudo que fez e faz por mim, pelos meus filhos e por toda a família. 

    Te amo, feliz dia dos pais! 


    Sobre o autor: @aspiesincero é codinome de um autista adulto de 39 anos, pai orgulhoso e filho mais orgulhoso ainda. Escreve por lazer, lê por prazer, discorda por costume. Implicante com barulhos mas fala gritando. Seu dom, rir de si mesmo.
  • Tragédia é não viver...

    Tragédia é não viver...


    Esse vídeo merece ser visto mil vezes...
  • Coluna do Aspie - Canabidiol

    Coluna do Aspie - Canabidiol

    Olá amigos!

    Venho recebendo muitas perguntas sobre o uso medicinal da maconha e seus componentes e vou falar aqui a minha opinião, especialmente em relação ao autismo.

    Quando se fala de maconha a primeira coisa que me chama atenção é todo o tabu que envolve o assunto. Posso notar até um certo preconceito bobo (se é que algum preconceito não é bobo) quando o tema vem à tona. A segunda coisa que percebo, é que atropelam um pouco a ordem das discussões e ao invés de se falar em liberação do cultivo para pesquisas e estudos, já se fala em liberação para o uso. Para que se pense em uso primeiro temos que conhecer toda a eficácia e os riscos.

    Atualmente, o que se tem liberado para uso seguro do canabidiol é na incidência de epilepsia severa e de difícil controle. Então, no caso do autismo seria seguro usar quando existir como condição coexistente esse tipo de epilepsia. Canabidiol não tem sua eficácia e segurança comprovada para autismo!

    Agora falando sobre eficácia e segurança: quando se faz uso de qualquer medicação é necessário que se pense na relação risco x benefício. Não se pode apenas usar tal substância e através de observação empírica, dizer se é ou não boa para utilização. O que quero dizer com isso é que não basta usar o canabidiol em uma pessoa autista e observar que está fazendo efeito, deixando a pessoa mais calma, diminuindo crises, etc para que se possa ser usado a revelia.

    Apesar das potenciais propriedades terapêuticas da maconha, ainda há um grande desconhecimento dos seus substratos neurais. A escassez de pesquisas examinando como o uso frequente afeta o cérebro humano, se é capaz de produzir prejuízo cognitivo ou se pode induzir a transtornos psiquiátricos após a interrupção do tratamento por exemplo, ainda é uma barreira para a segurança da utilização dessa substância.

    Usando o exemplo da epilepsia grave de difícil controle, podemos observar e entender melhor esse conceito de risco x benefício. Uma pessoa com esse tipo de epilepsia, tem um risco iminente de morrer em decorrência dessas crises se não conseguir controlar com nenhum medicamento. Então nesses casos, o benefício do uso do canabidiol ultrapassa enormemente os riscos, pois ao ajudar a cessar as crises, diminui o risco imediato de morte no indivíduo. Ou seja, nessa situação seria mais seguro usar a substância do que não fazê-lo, mesmo que a longo prazo ainda não se tenha definição de como o uso afeta a pessoa.

    Por isso, o que precisamos num primeiro momento é que se faça a liberação do cultivo e uso da maconha para estudos no maior número de países possível, para que possam fazer pesquisas amplas e replicá-las. Os resultados que avaliam o impacto da utilização sobre a morfologia cerebral ainda são inconclusivos ou contrastantes devido ao número reduzido de trabalhos e com amostras muito modestas.

    Novamente enfatizo que devemos deixar esses estigmas sobre a maconha de lado para poder procurar e acessar todos seus benefícios que me parecem promissores. Só para fazer um paralelo, vejam o exemplo do ópio que também já foi visto como uma droga muito prejudicial, mas que através de estudos e pesquisas, tornou-se a origem de medicamentos analgésicos dos melhores e mais potentes do mundo e que ajudam muita gente, como a morfina por exemplo.

    Abraços do Aspie e podem continuar mandando suas dúvidas e sugestões através da página no Instagram @aspiesincero.


    Sobre o autor: @aspiesincero é um codinome de um autista adulto que não tem identidade conhecida apesar de que rolam uns boatos de que já circulam algumas fotos dele por aí. Escreve de teimoso mas seu forte é... é... seu forte é teimar mesmo. Fica triste se não o convidam para as festas mas nunca vai quando é convidado. Ler é seu hiperfoco mas rir de si mesmo é seu verdadeiro dom.
  • Coluna da Erika - Medo de não corresponder às expectativas alheias

    Coluna da Erika - Medo de não corresponder às expectativas alheias

    Olá, 

    Meu nome é Erika Ribeiro sou Podcaster e tenho formação em Marketing. Fui diagnosticada com Autismo e TDAH aos 21 anos, mas não aceitei bem o diagnóstico. Só fui me aceitar depois de mais de 12 anos.

    Agora vou estar sempre por aqui e esse texto é mais ou menos a 5ª versão de algo que começou sobre outro tema e se tornou isso 😅. Resolvi dar uma pegada pessoal e falar sobre coisas que sinto, penso e experiências sobre ser uma adulta autista. Então hoje vou falar sobre: Por que tenho tanto medo de não corresponder às expectativas alheias?

    Sinceramente, acho que deve ser algo comum entre os autistas adultos esse peso e que pode ter dois efeitos: Nos paralizar e não tentarmos ou nos levarmos a níveis altíssimos de auto exigência para mostrar que podemos. No fim, os dois movimentos são muito prejudiciais para nossa autoestima e acaba nos colocando uma pressão desnecessária.

    Quando entramos na área de trabalho isso se torna muito mais complexo. A busca por mostrar nossa capacidade e que não ficamos devendo em nada aos neurotípicos faz tudo aumentar. Eu admito que algumas vezes quando as pessoas vêm me passar uma informação, por causa do ambiente ruidoso ou por que estava muito concentrada em outra coisa não consigo entender o que essa pessoa quer de cara. Daí ela explica de novo e ainda não peguei tudo, mas falo que sim. Por que? Porque acho que estou atrasando ou aborrecendo a pessoa e que se fosse um neurotípico ele já teria entendido, então busco não abusar.

    Depois, tenho de me desdobrar para resolver tudo e fazer tudo certo mesmo com base numa informação truncada. O que eleva o medo da falha. A gente se reprime tanto e tenta ser tão perfeitinho que esquecemos que parte de se aceitar autista, é aceitar que vamos fazer a nossa parte, nós somos capazes mas devemos para isso nos RESPEITAR.

    Respeitar nossas peculiaridades, nossas vantagens e limitações. Podemos em alguns momentos parar para respirar antes de começar uma tarefa ou ter mais informações, mas tendo isso faremos muito bem as nossas tarefas. Eu demorei para entender que até os neurotipicos precisam muitas vezes de ajuda em suas tarefas também, isso não pode ser uma vergonha ou visto como algo nosso especificamente.

    A gente sabe que existe muito julgamento sim, muitas dúvidas pairando sobre nós, olhares de nossos companheiros de trabalho, mas sobre isso nós não temos poder de mudar ou fazer algo. Contudo, a partir do momento em que conseguirmos esvaziar nossa mente desses fantasmas e julgamentos internos já ficaremos mais leves, soltos, mais protegidos dos efeitos externos e iremos realizar nossas tarefas com muito mais alegria e satisfação interna.

    Espero que tenha contribuído para uma reflexão com esse texto. Para quem quiser me achar é só procurar no twitter @being_erika e no instagram @beingerika. Até a próxima 😉
  • I Seminário Internacional do IEPEBR e The Nora Cavaco Institute

    I Seminário Internacional do IEPEBR e The Nora Cavaco Institute


    I Seminário Internacional do IEPEBR e The Nora Cavaco Institute

    Vai acontecer em SETEMBRO o I Seminário Internacional do IEPEBR e The Nora Cavaco Institute sobre: Os Desafios do Cérebro com o Espectro Autista da Criança ao Adulto.

    Data: 28/09/19 de 08h30 às 18h30

    Com a Dra. Nora Cavaco @noracavaco PHD em Autismo e Viviane Donadel @vivianedonadel Psicopedagoga.

    Também participarão do evento Léo Akira @leo_akira e eu Dani @vidadeautista autistas adultos.

    O público alvo são os profissionais da área da saúde e educação, pais de autistas e interessados pelo assunto.

    O seminário está sendo organizado pelo @institutoesperancar e mais informações poderão ser obtidas via direct do Instagram, nos contatos do post ou ainda no link abaixo 😉

    Vagas limitadas! Faça já sua inscrição clicando aqui 😊
  • Fui... morar fora do Brasil

    Fui... morar fora do Brasil


    Oi,

    Quando você ler este texto estarei longe, bem longe... mas muito, muito perto de mim mesma :)


    MORAR FORA não é apenas aprender uma nova lingua.

    Não é apenas caminhar por ruas diferentes ou conhecer pessoas e culturas diversificadas.

    Não é apenas o valor do dinheiro que muda.

    Não é apenas trabalhar em algo que você nunca faria no seu país.

    Não é apenas ter a possibilidade de ganhar muito mais dinheiro do que se ganhava.

    Não é apenas conquistar um diploma ou fazer um curso diferente.

    Morar fora não é só fazer amigos novos e colecionar fotos diferentes.

    Não é apenas ter horarios malucos e ver sua rotina se transformar diariamente.

    Não é apenas aprender a se virar, lavar, passar, cozinhar.

    Não é apenas comer comidas diferentes, pagar suas contas no vencimento, se matar para pagar o aluguel.

    Não é apenas não ter que dar satisfações e ser dono do seu nariz.

    Não é apenas amar o novo, as mudanças e tambem sentir saudades de pessoas queridas e algumas coisas do seu pais.

    Não é apenas levantar da cama em um segundo quando chega encomenda do Brasil.

    Não é apenas já saber que é alguém do Brasil ligando quando toca seu celular sempre no mesmo horário.

    Não é apenas a distância.

    Não são apenas as novidades.

    Não é apenas uma nova vista ao abrir a janela.

    Morar fora é se conhecer muito mais.

    É amadurecer e ver um mundo de possibilidades a sua frente.

    É ver que é possivel sim, fazer tudo aquilo que você sempre sonhou e que parecia tão surreal.

    É perceber que o mundo está na sua cara e você pode sim, conhece-lo inteiro.

    É ver seus objetivos mudarem.

    É mudar de ideia.

    É colocar em pratica.

    É ter que mudar sua cabeça todos os dias.

    É deixar de lado as coisas pequenas.

    É saber tampar o seu ouvido.

    É se valorizar.

    É ver sua mente se abrir muito mais, em todos os momentos.

    É se ver aberto para a vida.

    É não ter medo de arriscar.

    É colocar toda a sua fé em prática.

    É ter fé.

    É aceitar desafios constantes.

    É se sentir na Terra do Nunca e não querer voltar.

    É querer voltar e não conseguir se imaginar no mesmo lugar.

    Morar em outros paises é se surpreender com você mesmo.

    É se descobrir e notar que na verdade, você não conhecia a fundo algo que sempre achou que conhecia muito bem: VOCÊ MESMO!

    * Autor desconhecido
  • Coluna do Aspie - Dia do Orgulho Autista

    Coluna do Aspie - Dia do Orgulho Autista


    Olá Amigos!

    Ser autista é algo que tem influência em tudo sobre mim. Minhas escolhas, a maneira que vejo o mundo, meus conceitos morais e éticos. Tudo é baseado no que sou e nas minhas percepções como pessoa autista.

    Eu gosto de ser como sou e eu quero ser como sou. Nunca pensei em ser diferente disso que sou. Eu não quero ser "curado" do autismo. Não existe cura para o autismo, não existe cura para o que não é doença... 

    Pensar que o autismo não é normal ou pior ainda, pensar que existe um normal dentro de mim e que dá para separar o autismo que tudo se resolve, é uma aberração. Remover o autismo de mim seria como arrancar minha essência, como me transformar em outro. E repito, eu não quero ser outro! 

    A neurodiversidade é importante e faz parte do desenvolvimento humano. O autismo faz parte do que é ser humano. Em todos os lugares existem autistas. Muito provável que qualquer pessoa já tenha convivido, trabalhado, estudado com algum autista, talvez ainda conviva e nem se dê conta disso. 

    Então neste 18 de junho, Dia do Orgulho Autista, o que eu espero, mais do que isso, o que eu quero é que as diferenças sejam aceitas e respeitadas. Não quero que presumam por mim, não quero que falem por mim. Quero que me aceitem como sou porque eu me aceito como sou. Eu tenho alegria pelo que sou! 

    Eu sou autista com muito orgulho! Abraços do Aspie, sigam o @aspiesincero no Instagram, mandem suas sugestões, dúvidas e dicas de temas para a coluna. 

    Sobre o autor: Autista adulto com orgulho!
  • Consultoria Express

    Consultoria Express

    Olá pessoal,

    Na Consultoria Express vamos analisar o perfil pessoal e emocional para melhorar sua atuação em um emprego convencional ou para se tornar um empreendedor. É uma análise com propostas de melhoria para uma vida pessoal e profissional mais tranquila e objetiva.

    A Consultoria é feita por mim, autista, administradora de empresas com mais de 20 anos de experiência nas áreas de empreendedorismo, relacionamento, administrativa, auditoria e comercial. Ao longo da carreira fiz diversos cursos como Gestão de Processos, Gestão Financeira, Estratégias Empresariais, Gestão de Contratos, Auditoria, Relacionamento com o Cliente, CS - Customer Success, Consultoria Empresarial, Marketing, Neuromarketing entre outros mantendo-se sempre atualizada com as melhores técnicas e estratégias para atender ao mercado altamente competitivo e globalizado.

    Em outubro de 2018 criei o Projeto Vida de Autista após ser diagnosticada com TEA - Transtorno do Espectro Autista, grau leve e antes chamado Síndrome de Asperger. Em abril de 2019 decidi voltar ao mundo do empreendedorismo e prestar consultoria para MEI, pequenas e médias empresas de qualquer ramo de atuação e principalmente aos autistas que precisam de auxílio na vida pessoal e/ou profissional e também empresas que desejam ter o autista como público alvo ou funcionário em suas organizações.

    Neste modelo Express, as sugestões propostas pela Consultoria são confeccionadas por você. Já na Consultoria Personalizada Completa, todos os materiais são desenvolvidos por mim e você precisa apenas colocar em prática.

    A Consultoria Express é feita em duas fases:

    Fase I 

    - Entrevista Inicial com duração de 1 hora

    Fase II 

    - Avaliação e reestruturação da rotina de trabalho
    - Avaliação e reestruturação de fluxo de caixa
    - Desenvolvimento de planilha de controle financeiro personalizada
    - Reestruturação e redução de custos
    - Organização dos hábitos de consumo
    - Avaliação de novas fontes de receitas
    - Desenvolvimento de metas e objetivos financeiros

    Importante:

    Serão realizadas 03 reuniões online por Skype ou Whatsapp (previamente agendadas).

    Clique aqui para contratar a Consultoria Express. O pagamento pode ser feito através de boleto ou cartão de crédito - R$ 199,00 

    A confirmação de pagamento acontece em até 03 dias úteis. Após confirmação aguarde o e-mail com as instruções para agendamento.

    Após o aceite da consultoria o valor NÃO será reembolsado.

    Mais informações entre em contato por e-mail contato@vidadeautista.com.br


    Abraços,

    Dani


  • Coluna do Aspie - O peso do autismo leve

    Coluna do Aspie - O peso do autismo leve


    Olá amigos! 

    Hoje vou falar do autismo leve e das dificuldades inerentes a esse nível do espectro. Atualmente o autismo é classificado em três graus: leve, moderado e severo. Essa distinção se faz basicamente pela necessidade de auxílio que precisará a pessoa para seu melhor desenvolvimento. 

    A primeira impressão que se tem quando se vê a palavra LEVE é a de que trata de algo mais simples, fácil e até mesmo tranquilo de lidar... mas não é nada disso. Essa diferenciação dos graus de autismo, servem apenas para comparar os indivíduos dentro do espectro e para definir qual a melhor conduta terapêutica conforme a necessidade de cada pessoa. 

    Nunca se deve comparar um autista leve com um neurotípico*, apenas pelo grau ser leve. Os termos leve, moderado e severo não remetem a peso e sim a intensidade. Não existe dentro do espectro mais autista ou menos autista. O espectro é amplo mas todos eles compartilham de características inerentes ao autismo. 

    Uma pessoa no grau leve fala, mas muitas vezes tem problemas para se comunicar. Tem uma vida social, mas não consegue socializar de fato. Tem percepção de suas dificuldades, mas muitas vezes as pessoas ao seu redor não têm. É muitas vezes taxado de esquisito, pois geralmente apresenta interesses específicos, stims** e apegos a rotina como qualquer outro autista. Também sofre o desdém de quem, mesmo sem conhecimento, não vê ali os sinais do autismo. 

    Não pense que isso só ocorre quando as pessoas não sabem do diagnóstico. Mesmo quando sabem não é difícil escutar as famigeradas frases: "Mas você parece normal", "Você não tem cara de autista", ou "Você tem certeza que é autista?". Na escola é assim, no trabalho é assim, na vida é assim. Continuam esperando que o autista leve seja algo que ele não é. 

    Uma analogia que demonstra bem esse fato é de que não se espera de um cadeirante que ele suba escadas, não se espera que um surdo ouça, mas do autista leve se espera que socialize ou tenha comportamentos iguais aos de um neurotípico. Por isso, ao conhecer um autista na escola, no trabalho, na faculdade ou onde for, não espere que ele seja como você. Aprenda a compreender os outros e aceitar as diferenças. Se não souber ou não entender, pergunte ao invés de julgar. Ser diferente é normal e poder conviver com as diferenças é a melhor oportunidade que temos de sermos pessoas melhores! 

    Um abraço do Aspie e continuem seguindo o @aspiesincero no Instagram e mandando suas sugestões, perguntas e dicas de temas para a coluna. 

    * Neurotípico ou NT, uma abreviação de neurologicamente típico, é um neologismo amplamente utilizado na Psicologia, Psiquiatria, Neurologia, bem como nos aspectos sociológicos e culturais do autismo como um rótulo para pessoas que não estão no espectro do autismo.

    ** Stimming ou Stim é o termo usado pelos autistas ao que os profissionais chamam de “estereotipia” ou “comportamento estereotipado”. Em breve mais detalhes na Coluna do Aspie :)

    Sobre o autor: @aspiesincero é codinome de um autista adulto que não tem identidade conhecida, mas já rolam rumores que é só convidar para comer um pastel com caldo de cana que ele não consegue recusar. Escreve porque tem insônia mas seu forte é procrastinar. Assiste o roda a roda jequiti e jura que conseguiria acertar todas as palavras antes de qualquer um se lá estivesse. Ler é seu hiperfoco mas rir de si mesmo é seu verdadeiro dom.
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    Guia Prático para autistas adultos: Como não surtar em situações do cotidiano.

    Sinopse: Neste guia você não vai encontrar técnicas ou fórmulas mágicas, pois o que escrevi aqui são experiências reais e servem de base para que você entenda como meu cérebro autista funciona na prática. Aqui você será espectador e verá a vida através do olhar de quem sente na pele as mesmas sensações que você. Sempre com leveza e bom humor te ensino a não surtar nesse mundo onde a gente se sente um E.T.

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