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Vida de Autista

Eu sou Autista

Daniela Sales


Eu sou a Dani e no final de 2017 ouvi da minha terapeuta o diagnóstico que mudou minha vida. Fui diagnosticada com TEA - Transtorno do Espectro Autista, no meu grau antes chamado Síndrome de Asperger.
Após o diagnóstico, aos 42 anos de idade, finalmente conheci a mim mesma e então resolvi abraçar a causa do autismo na vida adulta. Existem milhares de autistas sem o diagnóstico sofrendo nos consultórios, usando antidepressivos, ansiolíticos e toda e qualquer droga que torne a vida mais leve.
No Instagram, no YouTube e aqui no site conto um pouco das minhas experiências e descobertas sobre esse mundo tão fascinante do autismo. Ser diferente é normal :)

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Consultoria Empresarial, Palestras e Treinamentos


A consultoria é feita por mim, autista, grau leve com formação em Administração de Empresas e ampla experiência no mercado. É voltada para microempresas, empresas de pequeno porte e MEI (Microempreendedor individual) de qualquer segmento de atuação. Um grande diferencial é minha visão como profissional e empreendedora dentro do TEA. Essa visão é ideal para o autista que deseja se tornar empreendedor ou que já tem uma empresa ou ainda para a empresa que deseja incluir o autista como público alvo ou que tem ou quer ter profissionais autistas nas vagas PCD. Palestras de conscientização em empresas ou escolas e treinamentos para inclusão do profissional autista nas organizações.
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  • Coluna do Pádua: UMA FAMÍLIA DISFUNCIONAL EM PLENO NATAL

     


    UMA FAMÍLIA DISFUNCIONAL EM PLENO NATAL
    “ESQUECERAM DE MIM” APÓS 30 ANOS

    Olá, pessoal do site! Há quanto tempo, não?

    Estamos em pleno setembro amarelo, é verdade. Mas hoje, falaremos sobre um assunto que, embora não seja tão citado quanto as pautas de depressão e suicídio (sobre o qual já escrevi para este site, aliás), não é menos importante, já que por muitas vezes é evitado. Afinal, envolve um pesado tabu: a família. O ambiente familiar é um dos entes mais importantes da sociedade. Na natureza os animais aprendem a caçar e a sobreviver junto com pai, mãe e irmãos, portanto a família se faz importantíssima para a sobrevivência em seus níveis mais deterministas. Na vida em sociedade, entretanto, ela é ainda mais importante. Numa estrutura social e de relacionamentos, a família é, predominantemente, o principal alicerce de um ser humano, de onde ele ascenderá para a vida como um ser social, a quem são conferidos direitos e deveres. É ali onde ele primeiro nasce, cresce e se desenvolve.

    Mas... e quando a família é problemática? Quando, em vez de encontrar as melhores condições para o desenvolvimento nas fases iniciais da nossa vida, encontramos indiferença, maus tratos, brigas e até ódio daqueles que deveriam nos amar e olhar por nós?

    E como seria se este assunto fosse tratado de forma sutil e até lúdica por um dos melhores filmes de natal da história?

    “Esqueceram de Mim” nos trouxe essa resposta de forma sutil e divertida, porém tratada com a devida sensibilidade que o tema merece. O filme completa nada menos do que 30 anos em dezembro deste ano e, mesmo depois de tanto tempo, ainda há lições a apreender dessa maravilhosa obra.

    Na trama, a família McCallister viaja para Paris, mas esquece seu filho pequeno Kevin McCallister, de apenas oito anos, sozinho em casa. Essa é a premissa: simples e objetiva, mas que já dá ao espectador uma boa noção do parafuso solto nessa família. Afinal, quem vai viajar e simplesmente esquece um dos filhos em casa? Mas não para por aí: nos diálogos entre os personagens, “Esqueceram de Mim” ainda nos brinda com o nível de descaso ao qual Kevin está submetido enquanto membro mais frágil da família e, portanto, o bode expiatório de todos. E o pior é que Kevin sabe dessa posição. O garoto sofre com a indiferença do pai e o bullying pesado dos irmãos e dos tios. Ele é debochado pelos irmãos até mesmo por não saber fazer a própria mala sozinho (ele tem oito anos, lembremo-nos). A mãe, por sua vez, não é menos odiosa. Após uma briga com o irmão mais velho, Buzz, onde ele claramente teve razão ao reagir de forma furiosa, a mãe o culpa por “causar problemas” em vez de lhe dar apoio ou compreender suas dificuldades e limitações (já falei que ele tem oito anos?) e o obriga a dormir sozinho no compartimento mais alto da casa como castigo. 

    Sim, colocando dessa forma, “Esqueceram de Mim” mais parece um filme de drama do que uma comédia natalina. Mas fica pior. Ao constatar que esqueceu o filho em casa, a mãe tem noção da gravidade e tem uma crise de consciência, mas o pai apenas reage dizendo “nós não esquecemos, nós só contamos errado”. Não preciso dizer mais nada.

    Felizmente, o longa-metragem não vai além disso nas provocações sobre famílias disfuncionais. Afinal, apesar de tudo, estamos falando de um filme de comédia natalina para o público infantil. Mas “Esqueceram de Mim” é, sem dúvida, um marco nesse gênero fílmico, pois, junto com “Matilda” (filme do qual pretendo escrever um texto posteriormente também), faz parte de uma safra de filmes cujos diretores e roteiristas não subestimam a inteligência dos espectadores, mesmo sendo mirins. No fim das contas, as crianças entendem muito bem as coisas. Basta saber explicar de uma forma que elas entendam. 

    A divertida aventura que se sucede à premissa compensa de forma satisfatória o pesado início, com Kevin nos trazendo o regozijo de uma criança que finalmente realiza a fantasia da liberdade à revelia dos pais (que toda criança desenvolve em maior ou menor nível), mas também aprendendo importantes lições sobre responsabilidade – a contraparte necessária para contrabalancear a liberdade - e sobre não julgar as pessoas pelas aparências (sou ateu, mas a cena da Igreja me arrepia até hoje). Além disso, temos a catarse nas cenas finais, quando Kevin desconta toda a raiva e frustração que sente com sua família nos bandidos que tentam assaltar sua casa, através de armadilhas elaboradíssimas e bem sacadas que, apesar de um tanto violentas (quase uma versão infantil de “Jogos Mortais”), são suavizadas com efeitos cômicos engraçadíssimos.

    No fim, “Esqueceram de Mim” é uma excelente experiência para absolutamente todos os públicos, de todas as faixas etárias. Traz importante dose de reflexão como uma comédia dramática, mas diverte à beça como uma comédia natalina. Um clássico.

    Nota: 9,0


    Sobre o autor:
    Meu nome é Pádua, tenho 27 anos e sou autista. Sou fotógrafo e amo o que faço! Nas horas vagas, gosto de escrever, pois considero uma atividade super divertida e produtiva. Aproveitem a coluna sem moderação!

    Blog pessoal http://flertingcrazyness.blogspot.com 
    Instagram Pessoal https://www.instagram.com/greatwhitepadua/
    Instagram I https://www.instagram.com/antoniodepaduaimagem/ 
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    O autismo e a Seletividade Alimentar

    A seletividade alimentar é definida pela rejeição alimentar, falta de apetite e de interesse por um determinado alimento.

    Todos os indivíduos possuem preferências e rejeições alimentares, mas no caso do TEA (Transtorno do Espectro Autista) isso se intensifica, pois nós não gostamos de um determinado alimento devido ao seu aroma, textura, cor, formato e outros fatores. 

    Ou gostamos excessivamente de um determinado alimento e só queremos comê-lo, levando a uma alimentação monótona sem variedades alimentares. Esse tipo de atitude pode acarretar diversos tipos de malefícios entre eles a carências de vitaminas e minerais, constipação, fraqueza corporal, pele seca, queda de cabelo, entre outros sintomas.

    Gostaria que vocês deixassem nos comentários que alimentos são as suas preferências e/ou rejeições alimentares. Se tiver algumas histórias relacionadas com um determinado alimento e quiser compartilhar com a gente, sinta-se a vontade.


    Sobre o autor:
    Meu nome é Natália B. Q. de Morais e faço parte da Liga dos Autistas
  • Coluna do Pádua: O poder do amor pela visão de dois autistas



    “O CASTELO DE VIDRO” OU: O PODER DO AMOR PELA VISÃO DE DOIS AUTISTAS 


    Olá, pessoal do site! 

    Este é um texto escrito em colaboração entre nós, Fábio (Aspie Sincero @aspiesincero) e Pádua, colunistas do site Vida de Autista. Esta será uma crítica sobre o filme “O Castelo de Vidro”, de 2017, bem como uma reflexão sobre os desdobramentos do filme. Da ótima conversa que tivemos, saiu todo o conteúdo que vocês lerão a partir de agora. 

    “O Castelo de Vidro” é um longa lançado em 2017, dirigido por Destin Daniel Cretton e estrelado por Brie Larson e Woody Harrelson. O filme reconta a história do livro autobiográfico da escritora e jornalista estadunidense Jeanette Walls. O filme toma certas liberdades narrativas e de roteiro com relação ao livro, o que é praxe em Hollywood, mas quando se trata de biografias, isso pode deixar as coisas... digamos... polêmicas, principalmente no que diz respeito às escolhas do diretor quanto ao desfecho da trama. Vale destacar o esmero técnico do longa, com uma direção inspirada de Cretton, atuações seguras e precisas, sobretudo de Harrelson e Larson, e uma fotografia inspirada, que faz excelente uso de seus cenários em perspectivas grande-angulares, produzindo visuais realmente deslumbrantes. 

    É um filme cujo roteiro não segue a linha habitual de narrativa, acompanhando a vida de Jeanette (Larson) através de duas linhas temporais que não apenas se interligam a fim de trazer a vida da personagem em construção, mas também estabelece um dos conflitos principais do filme, entre a vida caótica de sua infância e a busca por ordem em sua fase adulta. Na primeira, vemos a escritora adulta, prestes a se casar com David, um analista financeiro; já na segunda, a vemos em sua infância e adolescência, tendo de lidar com sua complexa e disfuncional família, sobretudo com o pai, Rex Walls (Harrelson). 

    Nesta segunda linha do tempo é que os aspectos mais interessantes da trama se desenrolam. Rex e Rose Mary (Naomi Watts) são pais cheios de amor para com os filhos, mas também extremamente controversos. Autênticos babyboomers, os pais tentam constituir uma estrutura familiar tradicional, na qual os desígnios do pai – o chefe - seriam sempre o norte da família, em uma alusão ao “American Way of Life” que rondava os Estados Unidos e o Mundo nos anos 1960. O pai é, contudo, o que se poderia chamar de “eterno sonhador”, por centralizar o sonho de vida e liberdade de sua família na construção da estrutura que dá nome ao filme. Homem de extrema inteligência, Rex cria os filhos num autêntico modo “freestyle” em relação aos modelos de educação vigentes – o que não deixa de ser uma ironia, e muito similar ao visto no filme “Capitão Fantástico”. A comparação é inevitável. 

    O problema é que, apesar de Rex querer ser este pai amoroso, cuidadoso e protetor, ele parece não lidar nada bem com responsabilidades. Por isso, está sempre envolvido em conflitos, seja em abstrações consigo mesmo ou em ocasiões literais com praticamente todos os que estão à sua volta. Durante o longa, são dadas pistas ao espectador sobre como e porquê Rex age assim: traumas de infância sob uma família igualmente disfuncional e uma mãe extremamente abusiva, associados a vícios crônicos em alcoolismo e tabagismo e os problemas com responsabilidade já citados, fazem do pai uma espécie de “força da natureza”, como um organismo a vagar pelos lugares sem um rumo certo, na intenção, ainda que vaga, de construir o tal Castelo de Vidro. 

    Rex e Jeanette são a “dupla dinâmica” que move a trama de “O Castelo de Vidro” de uma maneira tão desconfortável quanto perturbadora, através algumas das cenas mais perturbadoras do longa. Rex, quando começa a perceber que está perdendo a influência sobre os filhos, passa a agir de forma tão errática quanto violenta. Os filhos, por sua vez começam a se tornar muito mais uma antítese dos pais: cada vez mais ansiosos por estabelecerem eles mesmos os objetivos de suas próprias vidas à revelia do organismo que o pai havia constituído (referência à contracultura dos anos 1970 e ao movimento Yuppie dos anos 1980). Assim, graças às controvérsias que permeiam a vida e conduta dos pais, os filhos tiveram que aprender muito cedo na vida quais eram seus lugares no mundo, sem depender muito dos pais para isso. Jeanette é o ponto principal dessa antítese, e protagoniza com o pai alguns dos momentos mais tensos da obra, seja tendo de lidar com o alcoolismo do pai, a tensa convivência com a avó pedófila – relevada pelo pai - ou a falta de empatia da mãe. 

    O roteiro, porém, faz com que todo este complexo desenvolvimento de trama descambe em um drama convencional, cujo desfecho é extremamente discutível. O terceiro ato do filme se passa quase que integralmente na linha temporal da Jeanette adulta e aqui temos os resultados de todos os conflitos vividos pelos personagens principais. De uma queda de braço com o noivo de sua filha até um escândalo na festa de noivado, Rex se defronta com as consequências de suas atitudes como pai ao longo de sua vida. Jeanette, por sua vez, tem finalmente a conclusão de seu arco dramático da infância até a fase adulta, tendo passado pela perda da inocência, enfrentado e superado o remorso e, finalmente, entendendo quem de fato era, ao perdoar o pai por tudo o que havia passado. Uma mensagem bonita e adorável, que nos passa a ideia de que, no fim das contas, o mais importante é estar bem consigo mesmo e com sua própria história, e que não há mal no mundo que não seja possível perdoar, afinal, pai e filha no final das contas se amavam mais do que se odiavam e queriam preservar as coisas boas acima das ruins. O amor triunfando uma vez mais, apesar das dificuldades. 

    Este é um final que suscita um questionamento importante sobre o poder do amor. Afinal, que sentimento tão estranho é este, que faz até os piores e mais degradantes conflitos se tornaram “águas passadas de um passado distante e felizmente esquecidas em prol de um final feliz”? Para a extremamente lógica mente autista, isso é geralmente um mistério de difícil resolução. Como quase sempre operamos na lógica, nossa mente dificilmente acata esse tipo de falha na verossimilhança, provocado pelo poder do amor. Para nossa não-surpresa, em nossas conversas, constatamos que isso nada mais foi do que uma adaptação do filme para construir um final de história mais palatável a todos os públicos. Em seu livro autobiográfico, Jeanette Walls nunca escondeu ou amenizou os remorsos de sua infância e adolescência, ao contrário do que o final de “Castelo de Vidro” parece sugerir. Ao unir a necessidade de um final hollywoodiano com a vontade dos espectadores de verem um desfecho positivo, o diretor juntou a fome com a vontade de comer. Como diria Cazuza, “pequenas porções de ilusão e mentiras sinceras me interessam”. 

    Ao fim, “O Castelo de Vidro” é um bom filme, que favorece a reflexão sobre a vida, os obstáculos que enfrentamos e sobre quem somos, no final das contas. E que apesar dos problemas de verossimilhança, nos traz importante e necessária mensagem sobre perdão. Ainda mais nos dias de hoje. 

    Nota do Aspie: 7,0 

    Nota do Pádua: 8,0


    Sobre o autor:
    Meu nome é Pádua, tenho 27 anos e sou autista. Sou fotógrafo e amo o que faço! Nas horas vagas, gosto de escrever, pois considero uma atividade super divertida e produtiva. Aproveitem a coluna sem moderação!

    Blog pessoal http://flertingcrazyness.blogspot.com 
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  • Coluna do Aspie: Crônicas do Carimbador Maluco


    E aqui estou, trabalhando sem parar nesse cérebro. Meu departamento é muito importante, setor de validação. A informação chega, eu carimbo e passo adiante. Recebeu meu carimbo está validado e dali pra frente é aquilo que vale no que diz respeito ao discernimento desse humano cujo cérebro eu habito. 

    É tudo muito rápido, chegou eu bato os olhos e "Plunct", mais do que depressa já analisei "Plact", logo eu carimbo e "Zum", tá feito! 

    Geralmente eu não paro muito pra pensar, a informação já vem pronta, tem um tal de senso comum que ajuda muito então no geral é só carimbar e passar pra frente. 

    É cômoda a vida desse meu humano se eu faço meu trabalho direito. Então basta eu seguir esse meu processo que tudo vai bem. 

    Eu sigo daqui concordando com o setor do senso comum e tudo segue no conforto do existir, porque se tem algo que aprendi com o senso comum é que as coisas são como são, mudar isso só dá trabalho demais e o setor do estresse logo reclama. 

    Como meu serviço é meio automático, dou-me ao luxo até de desviar um pouco da função. Esses dias, como forma de passar o tempo mais rápido, pude até observar algumas das informações que recebia enquanto carimbava. 

    As primeiras, confesso, nem reparei direito, mas com o passar do tempo comecei até a refletir sobre o que olhava. Comecei a pensar que poderia ser diferente. Tinha coisa ali que, para ser bem sincero, não tinha muito cabimento. 

    Eu sempre fui muito eficiente, porém enquanto eu refletia sobre o que carimbava, o meu serviço acabou ficando mais lento. Reparei que não era só isso que me atrapalhava, aqui ao lado parece que o setor do senso comum está em reforma, uma barulheira só, parece que estão renovando tudo e pelo barulho que estão fazendo acho que estão quebrando e construindo tudo novo. 

    Voltando ao meu trabalho, agora é oficial, eu passei a analisar tudo que chega até mim. Talvez tenha notado, não sei, que esse "Plunct, Plact, Zum" já não me leve a lugar nenhum! E sabe que tem várias coisas agora que não consigo validar? Tá difícil para mim aceitar que as coisas tem que ser como sempre foram. É verdade que analisar e pensar sobre tudo leva mais tempo e pode até haver quem diga que não tenho a mesma eficiência de outrora, mas sinto-me bem assim. 

    Enquanto isso aqui ao lado abriram um novo setor no lugar onde era o senso comum. "BOM SENSO", dizia a placa nova que estava sendo instalada. Notei enquanto o responsável do antigo setor, agora demitido, passava por mim gritando... "Estou indo embora por sua causa seu carimbador maluco!" 

    Não entendi muito bem mas prometo que vou tirar um tempinho para analisar e o funcionário do bom senso já se ofereceu para me ajudar.

    Sobre o autor: @aspiesincero é codinome de um autista adulto que de posse de seu senso de humor de qualidade duvidosa, segue em ritmo de festa no instagram. Escreve porque tem insônia mas seu forte é procrastinar. Jura que dança com maestria e que poderia ser coreógrafo da carreta furacão.
  • 18 de junho: Dia do Orgulho Autista

    Orgulho Autista - Dia 18 de junho

    Olá amigos do Aspie! Dia 18 de junho é uma data mais do que especial para nós autistas. Dia do orgulho, dia de ressaltar o nosso jeito de existir no mundo, dia de pedir respeito... nosso dia! 

    A data começou a ser comemorada há mais de uma década por iniciativa do grupo Aspies for Freedom para ressaltar as qualidades das pessoas autistas e apresentar uma visão do autismo na luz da cultura da neurodiversidade. 

    Mas e esse orgulho é do Autismo ou do Autista? O Autismo é um espectro, é diferente para cada um, é um diagnóstico, é um laudo, um código no CID (código internacional de doenças) ou no DSM (manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) mas ele não define ninguém. Já o Autista é a pessoa, é o cidadão, é o filho, é o pai, é a mãe. É o indivíduo e é único! 

    O Autista supera, luta, sofre preconceito, muitas vezes sente-se sozinho mesmo em uma multidão. Ele aprende, ele ensina. O Autista sente, tem empatia, sofre por ele e pelos outros. É incompreendido, tem sua fala abafada, grita! O Autista precisa e quer ser ouvido. Pode ser protagonista de sua própria vida. É capaz! Luta por seus direitos e tem potencial para alcançar o seu máximo. Clama para que entendam que o máximo de cada um pode estar aquém ou além das expectativas do que é considerado "normal" e tudo bem com isso. 

    Normal é chato, legal é ser diverso, é aceitar a diversidade como um todo. Não existe o todo sem a diversidade. O autista existe, insiste, é capaz de amar o outro e a si próprio. Então meus amigos, o Orgulho é Autista, de ser quem somos e como somos, independentemente de rótulos, esteriótipos ou limites. 

    Viva o Autista... Que orgulho!!!

    Sobre o autor: @aspiesincero é codinome de um autista adulto que através de memes bem humorados busca propagar informações, conscientizar e tornar cada vez mais conhecido esse mundo do TEA. Gosta de escrever porque dá para fazer com apenas uma das mãos enquanto segura uma fatia de pizza na outra. Ler é seu hiperfoco mas rir de si mesmo é seu verdadeiro dom.
  • Coluna do Pádua: O autismo e a teoria do Caos ou Como lidar com o não-controle

    O Autismo e a teoria do Caos ou Como lidar com o não-controle

    É sabido, entre outras coisas, que a pessoa autista possui uma tendência a estrutura rígida de pensamento. Isso é observável por vários aspectos; das rotinas de afazeres diários às quais ela geralmente acomoda em sua vida, passando por eventuais manias que desenvolvam até a forma como ela lida com as divergências ou imprevistos com as quais eventualmente pode se deparar. Assim, a estrutura rígida de pensamento geralmente leva o autista a se desenvolver muito bem dentro de ambientes rígidos, com regras especificadas e nos quais haja o mínimo possível – ou zero - de alterações. 

    Mas... O que acontece quando esse controle... some? Escafede-se? Essa indagação nos leva ao seguinte ponto do texto.

    Há um campo de estudo na matemática que investiga as possibilidades de se manter o controle sobre sistemas complexos e monitorados. Esse campo produziu o que se convencionou chamar de Teoria do Caos. Essa teoria explica justamente a impossibilidade de manter o total controle sobre esses sistemas, uma vez que há muito mais variáveis atuando sobre esse sistema do que simplesmente as controladas (ou controláveis). Essa teoria foi popularizada em filmes como Jurassic Park (1993) e Efeito Borboleta (2004), que mostraram mais ou menos, em acordo com a Teoria do Caos, como sistemas altamente complexos – e extremamente monitorados, caso do parque temático do filme de Steven Spielberg – seriam extremamente vulneráveis a drásticas mudanças a partir de alterações, por menores que sejam, nas condições iniciais desses sistemas. 

    Autistas, como já dito, possuem rigidez de pensamento. Isso pode ocasionar dificuldades em situações imprevisíveis ou sistemas complexos com um ou mais aspectos caóticos. Uma vez nosso cérebro sendo bastante apegado a padrões, seja de rotina ou de comportamentos, lidar com situações que fogem ao costume e/ou ao controle, parcial ou totalmente, pode apresentar diferentes níveis de dificuldade. Tendemos a rejeitar e nos frustrar com situações que não nos sejam costumeiras ou controláveis. Assim, o conhecimento acerca da teoria do caos poderia torná-la uma importante aliada do autista em sua estratégia de convívio com a sociedade. 

    A pessoa autista, como todo ser humano, fatalmente terá de lidar com aspectos caóticos na vida em sociedade, podendo variar de acordo com o nível de interação que esta impõe. É bem verdade que a sociedade, em seu eixo estrutural, é um ente organizado, com regras sociais, morais e éticas a serem seguidas por todas as pessoas que nela estão inseridas; há, no entanto, duas inconveniências: a primeira é que, apesar dessa organização, a sociedade é feita por seres humanos e estes podem ou não possuir a rigidez de pensamento comum nos autistas. Assim, atrasos a compromissos, esquecimentos ou a mera desconsideração dos outros para com nossas regras pessoais, podem ser mais comuns do que gostaríamos. E a segunda é que há aspectos naturalmente incontroláveis da existência como um todo e da natureza, tais como meteorologia e doenças. 

    Um exemplo pessoal: em 2012, me preparava para apresentar um seminário em grupo na universidade, mas acabei acometido por uma doença cutânea que me forçou a fazer uma cirurgia e ficar duas semanas em casa, no final de semana anterior ao seminário! A frustração foi imensa, e por muitos dias fiquei a imaginar como poderia resolver isso. No final, deu tudo certo e as coisas se ajeitaram ao passo em que fiz um fichamento de resumo sobre o assunto ao qual iria apresentar no seminário, e posteriormente consegui a aprovação na disciplina. Uma situação que me fugiu totalmente ao controle, resolvida com calma, parcimônia e a aceitação de que as coisas poderiam dar certo mesmo sem que eu tivesse controle delas.

    O fato é que a Teoria do Caos pode sim ser uma grande aliada, não apenas para nós autistas, mas de qualquer pessoa que possua dificuldades em aceitar que não pode controlar tudo na vida e existência. Não é fácil, afinal, estamos lidando com uma ideia que, em um primeiro olhar, nos tolhe em vez de amplificar as nossas possibilidades. Mas se olharmos bem, podemos ver que não é tão difícil assim, já que é possível adequarmos nossa existência a essa ideia sem grandes traumas.

    Afinal, como diz o Dr. Ian Malcolm em Jurassic Park...“A vida encontra um jeito.”


    Sobre o autor:
    Meu nome é Pádua, tenho 26 anos e sou autista. Sou fotógrafo e amo o que faço! Nas horas vagas, gosto de escrever, pois considero uma atividade super divertida e produtiva. Aproveitem a coluna sem moderação!

    Blog pessoal http://flertingcrazyness.blogspot.com 
    Instagram Pessoal https://www.instagram.com/greatwhitepadua/
    Instagram I https://www.instagram.com/antoniodepaduaimagem/ 
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    Sinopse: Neste guia você não vai encontrar técnicas ou fórmulas mágicas, pois o que escrevi aqui são experiências reais e servem de base para que você entenda como meu cérebro autista funciona na prática. Aqui você será espectador e verá a vida através do olhar de quem sente na pele as mesmas sensações que você. Sempre com leveza e bom humor te ensino a não surtar nesse mundo onde a gente se sente um E.T.

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